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12/03/2008
De volta a Madri, barrados queixaram-se de ‘maus tratos’
Sérgio González/El Mundo
Subiu de treze para 21 os cidadãos espanhóis expulsos pela Polícia Federal ao tentar ingressar no Brasil. Nesta terça-feira (11), foram barrados no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, mais oito viajantes procedentes da Espanha. Eram sete empresários e uma turista. As expulsões anteriores haviam ocorrido no aeroporto de Salvador.
O grupo de espanhóis chegara no vôo de número 6025, da companhia Ibéria. Impedidos de cruzar a alfândega, se viram compelidos a retornar no mesmo avião. De volta a Madri, um dos empresários foi ouvido pela repórter Ana Del Barrio. Em relato semelhante aos de brasileiros barrados pela política de imigração da Espanha, queixou-se de maus tratos.
“Quando desembarcamos do avião, perguntaram quem eram os espanhóis. Nos separaram de lado como se fôssemos cachorros, recolheram nossos passaportes e, depois, saíram dizendo que nos teríamos que voltar à Espanha”, disse o empresário Pedro José Hernández, 38.
Segundo Hernández, a Polícia Federal tratou o grupo de forma discriminatória. “Os agentes nos separaram do resto dos europeus sem nos dar nenhuma explicação. Disseram que nem podíamos falar com eles e que a Ibéria já tinha os nossos bilhetes de volta para a Espanha. O tratamento que recebemos foi vexatório.”
“Via-se claramente que iam contra os espanhóis”, acrescentou Hernandez. “Detiveram também um irlandês que falava castelhano e o soltaram quando descobriram que não era [espanhol].” Afirmou ainda que os empresários dispunham de passaportes regulares, reservas de hotel e dinheiro no bolso para custear suas despesas no Brasil.
A despeito de tudo, disse Hernández, a PF tratou o grupo com “maus modos”. Esboçaram uma reação. Mas foram contidos por funcionários da companhia aérea. “Quando protestamos, os da Ibéria aconselharam que nos metêssemos no avião, para evitar problemas. É injusto porque nós íamos trabalhar.” Fariam, segundo disse, negócios.
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2008-03-09_2008-03-15.html#2008_03-12_05_39_08-10045644-0
Minhas Palavras
Vergonha! É o que sinto quando leio notícias como esta, que foi publicada no Blog do Josias.
Nossas autoridades de relações exteriores tem se comportado como menininhas birrentas neste caso da imigração espanhola. Detectou-se que os brasileiros têm tido problemas sistemáticos ao entrar na Espanha. Muitos brasileiros foram tratados como criminosos, isolados dos demais e alguns foram obrigados a voltar. Isso é certo? De forma alguma. O consulado brasileiro deveria ter reclamado oficialmente ao governo espanhol exigindo mudanças nessa situação, bem como tomado ações para garantir que isso não aconteça mais. Algumas dessas ações foram citadas de forma precisa por Clóvis Rossi (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1203200803.htm).
Mas o que foi feito no final? "Princípio da Reciprocidade". Até a palavra é complicada de se falar. Significa, em poucas palavras, pagar aos espanhóis na mesma moeda. Assim, se eles não deixam nossos turistas e imigrantes ilegais entrarem na Espanha, nós não deixamos os turistas deles entrarem no Brasil. Nem eles, nem seus poderosos euros. E assim tudo fica resolvido...
Infelizmente, o povo espanhól, de modo geral, não está sequer sabendo dessa história. Eles chegam desavisados no Brasil e são tratados como escórias, como criminosos. Muitos vieram ao Brasil pela imagem do país tropical, amistoso e sensual que fazem de nós lá fora. E o que encontram? Truculência e indignação.
Sem que nenhuma medida real tenha sido tomada para se tentar contornar esta situação lá na Espanha.
A vocês, espanhóis, que foram impedidos de entrar no Brasil, meu sincero pedido de desculpas. A ignorância com a qual vocês foram brindados ao tentar entrar no país não é uma característica apreciada por nós, povão brasileiro. Nem concordamos com o tratamento vulgar e estúpido que vocês têm recebido de nossas autoridades. Sei que o desgaste da imagem que o país sofreu em suas memórias jamais serão apagados. Mas espero, do fundo do coração, que vocês nos perdoem. Se não nossas autoridades, ao menos aos brasileiros de verdade.
Escrito por Alessandro DelArco às 15h25
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Fãs de todo mundo, tremei
"Watchmen" nas telas promete ser decalque do gibi
Diretor Zack Snyder segue história quadrinho a quadrinho, como já havia feito na adaptação da "graphic novel" "300'
Longa estréia em um ano; autor Alan Moore não viu e não gostou, mas desenhista Dave Gibbons visitou o set e aprovou com louvor
IVAN FINOTTI EDITOR DO FOLHATEEN
Após 18 anos de tentativas, após a compra por quatro estúdios (Fox, Universal, Paramount e agora Warner Bros.), após o envolvimento de cinco diretores e após ser reescrita por três roteiristas, a maior HQ de todos os tempos finalmente tem data para chegar às telas dos EUA: 6 de março de 2009. As filmagens terminaram no mês passado e, enquanto esses 358 dias se arrastam, o diretor Zack Snyder (o mesmo de "300") vai acalmando os fãs. Em suas entrevistas ou por meio das imagens já liberadas, pode-se ver que "Watchmen", o filme, será um decalque do gibi. Na semana passada, Snyder soltou novo lote de fotos com os personagens. Trazem pequenas mudanças, como as armaduras de Ozymandias e Coruja Noturna ou a bota longa de Espectral. O Comediante e Rorschach estão idênticos. Falta ainda exibir o Doutor Manhattan, interpretado por Billy Crudup (o guitarrista de "Quase Famosos"). Para viver o personagem azul e superpoderoso, o ator usou máscara e luvas com pontos de luz, para guiar o trabalho posterior de efeitos especiais.
Terrorismo, não Não é só no visual que Zack Snyder segue passo a passo a série de Alan Moore, publicada em 1986 e 1987. A história de "heróis" demasiadamente humanos se passa em 1985 e foca na Guerra Fria, na iminente ameaça nuclear, traz ecos do Vietnã (guerra vencida pelos EUA com a ajuda do Doutor Manhattan) e exibe um Richard Nixon ainda presidente. Os diversos roteiristas do projeto tentaram atualizar tudo isso aos novos tempos. Snyder foi radicalmente contra: nada de terrorismo, aquecimento global ou Iraque. "Abandonamos essa abordagem e voltamos a 1985", disse. Esse respeito ao texto original não foi suficiente para que Alan Moore desse um voto de confiança ao diretor. Moore já destruiu todos os filmes baseados em suas HQs, como "V de Vingança" e "A Liga Extraordinária". Enquanto o desenhista Dave Gibbons visitou o set em dezembro do ano passado -e está "sorrindo até agora"-, Moore mandou um documento assinado para os produtores de "Watchmen". Ele escreveu: "Eu, abaixo-assinado, por meio desta dou permissão para excluir meu nome dos créditos do filme e dar todo o dinheiro a que tenho direito para Dave Gibbons". Isso é que o legítimo humor inglês...
Minhas Palavras:
Não tem jeito. Toda vez que eu leio, ouço ou vejo uma matéria como essa eu tenho calafrios. De medo e, algumas vezes, de nojo. Toda vez que alguém promete fazer um "decalque" dos quadrinhos para a telona, eu já vejo as crônicas da tragédia anunciada vindo por aí. Neste caso em específico minha tremedeira virou palpitação, beirando ao pânico, pois eles não estão falando de um gibi qualquer, mas de um verdadeiro clássico do gênero.
Só tive acesso a Watchmen anos após sua publicação. Que eu me lembre, ele fez muito menos sucesso editorial que "V de Vingança" e "Cavaleiro das Trevas" que foram lançados mais ou menos na mesma época. Mas naquela época os gibis eram bem mais caros e o acesso a eles, ao menos para mim, muito mais restritos, pois eu não passava de um pé-rapado que me locomovia pela cidade de bicicleta. Assim, li os volumes bem depois da série ter sido finalizada em português, alguns anos depois e pelas mãos de outro aficcionado por quadrinhos, meu bom amigo Sergio Akio.
O mais impressionante é que, apesar de passada quase uma década, o gibi permanecia absolutamente impressionante. Personagens bem construídos, essencialmente humanos e uma história perfeitamente enrolada e desenrolada pelo cérebro fantástico do roteirista Alan Moore. Nunca antes, à excessão talvez de "Cavaleiro das Trevas", uma galeria de heróis havia sido retratada não só pelos seus superpoderes, mas também pelos seus medos, defeitos, angústias e, principalmente, pela sua constante luta interior para não serem engolidos pela sensação de "divinidade" que seus poderes poderiam trazer. É, sem sombra de dúvida, o melhor gibi de super-heróis já realizado.
Alan Moore sabe muito bem aproveitar o elemento estático dos quadrinhos. O formato da ação, dos diálogos e das cenas entrecortadas (como a cena de Rorsharch passando por um teste psicológico) são eloquentes. E o desenhista Dave Gibbons conseguiu transcrever essa ação para seus desenhos que, embora tenham aquela estética própria da DC e da Marvel, conseguem dar vida e cara aos personagens. O arroubo do roteiro não foi seguido de perto pelos desenhos, mas o conjunto dos dois é extremamente eficiente. E saber escrever para quadrinhos é, verdadeiramente, uma arte. Exige uma compreensão bastante grande desse universo estático de desenhos, balões e onomatopéias para que ele se torne, no mínimo, dinâmico ao leitor.
É aí que entra o meu medo. Se levarmos em consideração apenas "Sin City", o decalque dos quadrinhos para as telas não garante um bom filme. Pelo contrário, pode resultar em uma bomba como esta, cheia de clichês visuais, narrativas em off desnecessárias e muita, muita baboseira. Toda adaptação de uma arte para outra deveria ser, evidentemente, uma adaptação. Há uma obra que foi realizada, amada e ganhou respeito. Uma adaptação "ipsis literis" do gibi para as telas é, antes de ser uma homenagem, é um desrespeito. Parace preguiça do roteirista e do diretor do filme. Ou pouco caso. Uma obra consagrada merece uma adaptação à altura, que consiga passar toda a atmosfera de cores fundamentais do gibi para o mundo-quase-real do cinema, sem que aquele pareça degradado ou infantil. Tarefa difícil? Com certeza. Mas bons filmes sobre heróis têm sido feitos, como Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e X-Men (ainda que este último devesse se chamar "Wolverine e o Resto" - isso é constatação, não crítica!).
E Não é a toa que o melhor filme sobre heróis de todos os tempos tenha sido uma animação gráfica, o que reduz a diferença entre quadrinhos e cinema. É claro que estou me referindo a "Os Incríveis".
Assim sendo, só me resta a angustia de esperar pelo filme e torcer para que o fantasma de Sin City esteja morto e enterrado e que o diretor de "Watchmen" seja ainda menos preguiçoso do que ele foi em "300".
Escrito por Alessandro DelArco às 08h53
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