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Sobre um reitor nada magnífico...
ELIO GASPARI
De DarcyRibeiro@org para Mulholland@com
Professor, saia da reitoria da UnB, a inhaca do bidê do Eremildo grudou nas suas costas
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PREZADO REITOR Timothy Mulholland, Essa universidade aí de Brasília quem fez fui eu, Darcy Ribeiro. É minha filha. Saia de sua reitoria. Vá-se embora. Quando correu por aqui a história da sua lixeira de R$ 990 eu achei que era mais uma cavilação da direita. Talvez você não lembre, pois em 1964 tinha apenas 14 anos, mas essa ferrugem moralista acusou o Anísio Teixeira de ter praticado irregularidades aí na reitoria. E eu? Teria fugido para o Uruguai numa avioneta, com US$ 10 milhões. Gastaram R$ 350 mil na decoração do seu apartamento funcional e depois veio o saca-rolhas de R$ 859. Eu já tinha ouvido coisa assim. O Gilberto Freyre disse que o presidente de Stanford usou dinheiro público (US$ 180 mil) na manutenção do seu iate e perdeu o emprego. Matutei um dia inteiro, querendo lembrar o antecedente brasileiro. Vi o Samuel Wainer com o Porfirio Rubirosa e caiu a ficha. Iluminou-se o bidê que o professor Eremildo Viana mandou instalar em seu gabinete da rádio Ministério da Educação. O Stanislaw Ponte Preta transformou a vida daquele dedo-duro num inferno. Como você deve saber, adoro falar bem de Darcy Ribeiro. Veja o que escrevi nos anos 50 a respeito de uma "característica distintiva" da universidade brasileira: "seu pendor ao esbanjamento de recursos públicos escassos tanto negativamente, pela subutilização das disponibilidades materiais e humanas, como positivamente, pelo faraonismo das edificações". Professor, a inhaca do bidê do Eremildo grudou nas suas costas. Esperei dois meses para lhe mandar esta mensagem. Resolvi expedi-la quando a garotada invadiu sua reitoria. Em 1963, eu estava na chefia da Casa Civil e a estudantada saiu por Brasília ocupando prédios. Mandei que lhes dessem uma coça e aquietaram-se. Mesmo assim, confesso que tenho um fraco por reitorias invadidas. A garotada quer que você vá embora. Vá. Você deveria ter se licenciado logo depois das denúncias, à espera das conclusões dos inquéritos. Sei lá por que, preferiu ficar no cargo e abandonar o apartamento, num gesto de exclusiva soberba, pois o dinheiro público já havia sido queimado com besteiras. Se quiser, finja licenciar-se, mas renuncie daqui a um mês. Eu estive na sua sala. As coisas estão em ordem. Dancei forró segurando as cadeiras de uma menina que estuda biologia. Ela tinha um "Fora" escrito na testa e as bochechas pintadas como os índios com quem passei tantos e tão gratos tempos. Qual a graça de ter 20 anos, querer um país sem roubalheiras, ou uma terra sem males, e deixar passar o enterro de um reitor que gasta R$ 350 mil montando uma casa onde a lixeira sai por R$ 990? Lembra-se da garotada de 1967, aquela que enxotou o embaixador americano John Tuthill? Pois lá estava um garoto, apanhando. Era o Collor. (Apanhou pouco, porque não aprendeu nada.) Percorra os salões de Brasília. Cada geração de poderosos guarda consigo as doces lembranças das manifestações de 1968 e de 1977. Chamavam-nas de badernas. Que assim seja. Bem-aventurado seja aquele que carrega com orgulho as lembranças de badernas passadas. A garotada de hoje, como a de sempre, tem razão: "polícia para quem precisa". Sem mais, Darcy Ribeiro
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0904200815.htm
Minhas Palavras
Hoje pela manhã li uma reportagem sobre esse senhor Mãoleveland aí de cima. Ele ainda está se fazendo de coitado, vítima e, para variar, diz que está sendo acuado sem direito de defesa pela imprensa e, agora, pelos estudantes. Diz que ele é a vítima e não os programas de pesquisa que ele eventualmente deixou sem dinheiro para que a sua singela moradia funcional fosse reformada. Nossa, e pensar que o pessoal do campus da Unesp de Araçatuba não gosta da Moradia lá porque não tem estacionamento! Talvez o magnífico reitor tenha estudado lá e passado todo o stress de morar em uma casa sem garagem. E disse para si mesmo: "basta! Jamais morarei em um lugar tão simples assim novamente". E deu no que deu.
A verdade é que sua atitude, infelizmente, é muito comum no Brasil. A corja faminta por poder e dinheiro público se recusa terminantemente a deixar seus cargos, mesmo quando estão atolados na lama. Ia dizer outra coisa, mas ainda quero manter alguma dignidade neste espaço. E ele posa de inocente até que se prove o contrário. Fosse esse um país sério e o magnífico reitor teria se licenciado do cargo para evitar que o escândalo se alastrasse. E quais foram suas últimas atitudes? Cortou a água e a luz do prédio da reitoria, invadido pelos estudantes da UnB que estão mais indignados do que eu, com toda a razão.
Lastimável!!!!
Escrito por Alessandro DelArco às 16h40
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Para mostrar para a minha sogra
GILBERTO DIMENSTEIN
Mãe completa
Maria Neuza, mãe de ex-alunas de escola pública de São Paulo, ajudou a melhorar as condições do colégio
EX-TELEFONISTA, Maria Neuza da Costa Guidoni, agora aposentada, carrega uma frustração: por falta de dinheiro, não conseguiu entrar numa faculdade. Seu projeto era se tornar advogada. Até chegou a fazer um cursinho pré-vestibular, mas percebeu que não poderia parar de trabalhar. "O que mais me incomoda é que não desenvolvi o dom da expressão. Eu me sinto incompleta." Talvez por causa de sua baixa auto-estima escolar, Maria Neuza não se sinta uma das responsáveis por um caso raro de êxito educacional na cidade de São Paulo. Quando fui procurá-la para a entrevista, Maria Neuza estranhou e suspeitou que se tratasse de um equívoco. "Você tem certeza de que está falando com a pessoa certa?" O nome da diretora da escola é parecido: Maria Cleusa. "Sou uma pessoa sem nenhuma cultura", disse, sem entender o interesse jornalístico.
Ela é um dos personagens anônimos que estão por trás do fato de o colégio Rui Bloem ter conseguido manter pelo segundo ano consecutivo a posição de melhor escola pública estadual da capital paulista, segundo o ranking do Enem, divulgado na semana passada. Sua nota a coloca à frente de muitas escolas particulares. "É um motivo de orgulho", comenta Maria Neuza, que não é professora nem funcionária da escola. Nem ao menos é mãe de aluno. É apenas mãe de ex-alunas. O fato de suas filhas terem terminado os estudos no colégio não a fez sair da associação de pais e mestres, da qual é diretora-executiva.
Por causa da capacidade dos pais de levantar recursos, a Rui Bloem tem um aspecto de escola privada, com as paredes limpas e pintadas, os jardins bem cuidados. O ambiente de trabalho organizado é um dos ingredientes para estimular alunos e professores. "Quem não sente prazer em ver um jardim bonito?", pergunta. A direção e os professores são os primeiros a reconhecer o impacto positivo da paisagem. O importante, porém, é que, por trás da ordem física, existem pais atentos à educação dos filhos, cobrando melhor qualidade de ensino. Sem isso, seria muito mais difícil para a direção combater, por exemplo, os professores faltosos. Também seria mais difícil conseguir parcerias com a comunidade, como um centro de línguas (os alunos podem estudar até japonês) ou programas de eletrônica e eletricidade de uma faculdade de engenharia. De acordo com estatísticas educacionais em várias partes do mundo, essa participação faz uma expressiva diferença nas notas.
Maria Neuza se sentiu agradecida pelo tratamento que suas duas filhas tiveram naquela escola. Por isso, decidiu continuar como voluntária -mesmo na condição de mãe de ex-alunas. A satisfação tem um motivo concreto: uma das suas filhas conseguiu entrar na faculdade. "É como se, de algum jeito, eu também tivesse entrado na faculdade." Isso fez com que ela passasse a nutrir a esperança de voltar a estudar e, depois de tanto tempo, entrar numa faculdade. Isso que, para ela, seria uma realização e tanto na vida, por maior que seja, ficaria bem longe de, como uma espécie de educadora informal, ter ajudado a criar a escola bicampeã na lista das escolas estaduais da cidade.
Escrito por Alessandro DelArco às 14h20
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Mais sobre os nossos Heróis Caídos
Do Blog do Noblat:
Repúdio às imorais indenizações de Ziraldo e Jaguar
“Então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento."
(Millôr Fernandes)
Exmo. Sr.
Tarso Genro
Ministro da Justiça
Brasília – DF
Excelência,
Repudiamos a decisão imoral da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que - de forma afrontosa, absurda e injustificável - premiou os cartunistas Ziraldo Alves Pinto e Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o “Jaguar”, fundadores de “O Pasquim”, com acintosas e indecentes “indenizações”.
Sem desconhecer ou negar os méritos do extinto jornal e sua corajosa participação na luta contra o regime implantado pelo golpe de 1964, não se pode, de forma alguma, aceitar esse equívoco lamentável do Ministério da Justiça, que nos custará a bagatela de R$ 1.253.000,24 (hum milhão duzentos e cinqüenta e sete mil reais e vinte e quatro centavos) para Ziraldo, e outros R$ 1.027.383,29 (hum milhão vinte e sete mil trezentos e oitenta e três reais e vinte e nove centavos) para Jaguar, além de polpudas pensões mensais e vitalícias. Isso tudo à custa de nosso trabalho, raspado de nossos bolsos, em decisão que enxovalha o Estado de Direito e a seriedade no trato dos dinheiros públicos.
Há que se registrar a cupidez vergonhosa de dois jornalistas do nível de Ziraldo e Jaguar, que encerram suas vidas profissionais desenhando em tinta marrom a charge da desmoralização de suas lutas e da degradação moral de suas biografias. Transformaram em negócio o que pensávamos ter sido feito por dignidade pessoal e bravura cívica. Receberam, por décadas, o nosso aplauso sincero. Agora, por dinheiro, escarnecem de toda a cidadania, chocada e atônita com a revelação de suas verdadeiras personalidades e intenções.
Com a ditadura sofreram todos os brasileiros. Por isso não encaramos como negócio lucrativo, prebendário e vergonhoso o que se fez por idealismo, honradez e dever. A ditadura não só não provocou danos terríveis a Ziraldo e Jaguar, como agora os enriquece e os torna milionários à custa de um país de miseráveis e doentes.
Aplaudimos os demais jornalistas que fizeram o saudoso semanário pela decisão de não acompanharem Ziraldo e Jaguar nessa pilhagem, roubando dos brasileiros o dinheiro que deveria (e poderia) estar sendo utilizado na construção de hospitais, num país de doentes; de escolas, num país de analfabetos; na geração de empregos, num país de desempregados.
Que se degradem, que se desmoralizem, que se mostrem publicamente de uma forma que jamais poderíamos esperar. Mas não à custa de nossos bolsos, surrupiando o dinheiro suado de milhões de brasileiros que sofreram com o regime de exceção, mas nem por isso se acham no direito de “ganhar na loteria”.
Exigimos mais critério, seriedade e parcimônia na concessão de tais indenizações pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Para que se evitem espetáculos bisonhos como o que assistimos.
(O texto acima corre na rede em busca de assinaturas)
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=repudio_as_imorais_indenizacoes_de_ziraldo_jaguar&cod_Post=96601&a=111
Minhas Palavras:
Não tenho muito mais o que acrescentar. Continuo envergonhado e entristecido. Não pelo Jaguar, que mal conheço, mas por Ziraldo, a quem admirava não só como artista, escritor e desenhista, mas também como pessoa. Brasileiro. É triste, melancólico mesmo, ter um sentimento desses arrancado do meu coração por causa de ganância.
Lembro-me da tristeza profunda que senti quando Fernando Sabino morreu. Ele foi meu grande patrono na literatura adulta, quando eu tinha ainda doze para treze anos. Comparando aquela tristeza com a que estou sentindo agora, creio que não estaria tão triste se tivesse recebido o mesmo tipo de notícia a respeito de Ziraldo.
A morte moral é muito pior que a morte física.
Escrito por Alessandro DelArco às 10h46
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O Jornalista do Governo fala sobre o jornalista da TV Pública
No Blog do Nassif:
08/04/08 09:37
O jornalista da TV Brasil
O editor da TV Brasil foi demitido. Alegou coerção no trabalho.
Fatos divulgados até agora:
1. A chefia diz que ele não queria entrar no serviço antes das 16 horas.
2. Ele alega que foi pressionando em duas matérias. Na primeira, ao falar dos problemas da saúde sem mencionar a extinção da CPMF. A segunda ao mencionar "dossiê" para o episódio do vazamento de dados da Casa Civil.
Dá uma boa discussão. É relevante mencionar a CPMF quando se fala em redução das verbas para saúde? Ë correto falar em "dossiê" (que implica juízo de valor, já que a palavra tem conotação de algo clandestino e sigiloso) ao se referir ao vazamento de dados.
Lembro que nos jornais já se padronizou o uso da palavra "dossiê". E se minimizaram as perdas com a CPMF. Trata-se, também, de orientação editorial.
Ao incluir esses temas na pauta, a editora da TV Brasil afrontou princípios jornalísticos? Ou seguiu padrões jornalísticos mais objetivos?
Finalmente: procedem as afirmações de que ele só queria entrar no trabalho às 16 horas? Nesse caso, até que ponto que houve pressão ou ele tratou orientações comuns como pressão para criar um álibi para sua saída?
É um bom desafio para a estréia do Conselho Consultivo da TV Brasil.
http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=7047
Minhas Palavras:
Tenho acompanhado o "singelo" embate entre Luis Nassif e Reinaldo Azevedo já há algum tempo. Sempre achei que, em uma luta, seja ela uma briga, disputa ou guerra, não há certos ou errados, pois a razão sempre pende de um lado para o outro de forma cíclica. É justamente o que acontece no caso dos dois jornalista. Leio a ambos, admiro os dois. Mas em alguns momentos realmente não dá para defender Nassif.
Veja este caso: Enquanto toda a imprensa vem discutir a probabilidade de estar havendo coerção da direção da TV Brasil sobre seu editor ele publica um comentário indiscutivelmente pró-governo. E devo dizer que justamente porque o leio é que tenho algum cacife para dizer isso. Afinal, no mesmo artigo ele coloca vários pontos que sugerem uma parcialidade indiscutível em vários aspectos. Primeiro porque é o único jornalista de todos os que eu leio que ainda grafa dossiê entre aspas ou com os dizeres "suposto" antes da palavra dossiê. Curiosamente, "suposto dossiê" é justamento como o governo tem tratado o tal levantamento de dados obscuro.
Em seguida levanta a lebre da perda do dinheiro da CPMF e os males que isto causou à saúde, mesmo depois de já ter sido publicado que o governo obteve arrecadação recorde, mesmo contabilizando a perda da contribuição. Assim, poderia-se concluir, sem muito medo de errar, que a falta do dinheiro não pode ser usada como desculpa exclusiva para a precariedade da Saúde Pública do país. Pode-se creditar muito mais dessa precariedade à competência do Sr. Ministro da Saúde. Quem é do ramo da saúde pública diz que, via de regra, o que faltam não são recursos, mas uma política de aplicação desse dinheiro. Mas não ouso debater esta questão tão complexa neste espaço, até porque não tenho domínio suficiente sobre ela nem para encher uma lacuna de palavras-cruzadas.
Por fim, aborda a tal questão da Saúde x CPMF como orientação editorial para os outros jornais e meios de comunicação. Ora, que eu saiba, a CPMF durou quase uma década até ser extinta. E mesmo com toda aquela dinherrama, a Saúde Pública permaneceu um caos. Ora, porque seria simples "orientação editorial" não ligar o decadente serviço público de saúde ao dinheiro perdido da CPMF? Não parece simplesmente que, com esse dinheiro ou sem esse dinheiro, a situação permaneceria exatamente a mesma? E igualmente caótica? Desassociar as duas coisas me parece, portanto, absolutamente lógico.
Com tanta coisa "estranha" em uma mesma coluna fica difícil não imaginar o pior. E fica cada vez mais difícil continuar defendendo Nassif...
Escrito por Alessandro DelArco às 17h33
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07/04/2008 - 17h13
Ator Castrinho evita culpar São Paulo por dengue
TINO MONETTI da Folha Online
O humorista e ator Geraldo Freire de Castro Filho, mais conhecido como Castrinho, afirmou à Folha Online nesta segunda-feira (7) que está "saindo da dengue agora". Na semana passada, foi divulgada a notícia de que ele poderia ser a mais nova vítima da doença.
O ator, atualmente no elenco da novela "Amor e Intrigas", da Rede Record, contou que, nos últimos dias, ficou de repouso, tomou cuidado com a hidratação e descansou em casa. Ele disse ainda que, no início da doença, ficou um dia inteiro internado e tomando soro no Hospital Rio Mar, no bairro carioca da Barra da Tijuca.
Sobre o surgimento da doença, o humorista contou que, apesar de não querer culpar nada nem ninguém, foi depois de uma viagem a São Paulo que ele começou a se sentir mal.
"Fui a São Paulo, gravei com a Eliana (no programa "Eliana & Alegria") e, quando voltei ao Rio, comecei a me sentir doente", contou.
Castrinho também disse acreditar que sua recuperação teria sido mais rápida se ele tivesse se tratado imediatamente, assim que a dengue apareceu. No entanto, o ator conta que preferiu não faltar nas gravações da novela e acabou piorando.
"Porém, para quem já teve câncer e operou duas pontes de safena, não vai ser um mosquitinho que vai me derrubar", afirmou o ator já recuperado da doença.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u389805.shtml
Enquanto isso, em São Paulo...
São Paulo conseguiu reduzir em 97,1% o número de casos de dengue no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Balanço da Secretaria de Saúde aponta que de janeiro a março de 2008, foram confirmados 1.297 casos da doença no Estado. No mesmo período de 2007, houve 44.760 casos. Além da queda do número de casos, neste ano um número menor de municípios registrou casos da doença. Foram 124 municípios neste ano contra 291 no mesmo período de 2007.
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=enquanto_isso_em_sao_paulo&cod_Post=96433&a=111
Minhas Palavras:
Esta foi a piada do dia, na minha opinião. Castrinho, o famoso humorista conhecido principalmente por seu personagem Cascatinha, vem a São Paulo para gravar um programa e volta para o Rio com sintomas da dengue. Aí diz, como quem não quer nada, que não quer culpar São Paulo pela doença. Falando sério, isso só pode ser uma piada. O cara mora na capital mundial da dengue, onde centenas de pessoas atingidas pela doença estão abrigadas em hospitais de campanha porque o sistema público já não suporta tanta gente e acha que, em uma viagem de um dia para São Paulo, pegou dengue aqui. E não lá.
Eu até estranhei isso vindo de um humorista. Esperava ouvir isso de um político carioca da situação, para tentar se esquivar das críticas à sua própria cidade. Mas logo me dei conta de que humor e política são profissões parecidas, pois ambas vivem de entreter o públicos com meias-verdades. A diferença é que o humorista, em geral, finge que é desonesto para fazer graça, mas no fundo é honesto. Já o político...
Ah, a notícia logo abaixo da notícia da Folha sobre o Castrinho é do Blog do Noblat, onde podemos nos dar conta que a doença em SP está regredindo, mesmo estando, ainda, acima do aceitável.
Em tempo, como a doença demora de 3 a 15 dias em incubação, é pouco provável que ele tenha sido contaminado aqui. E espero que ele não tenha TRAZIDO a doença junto...
Agora, Castrinho, culpar São Paulo pela doença típica do Rio soa como piada sem graça, não soa?
Escrito por Alessandro DelArco às 16h55
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Não há vergonha maior que a morte de um Herói...
Por Marcelo Tas, em seu blog: http://marcelotas.blog.uol.com.br/arch2008-04-01_2008-04-15.html#2008_04-07_12_02_48-5886357-0
Ziraldo, Cony e Jaguar: a geração perdida
 Quando jovenzinho, cansei de ouvir de jornalistas que admirava na época que eu fazia parte de uma "geração perdida". Porque cresci durante a ditadura, sem acesso à informação. Enquanto eles combatiam destemidos nas trincheiras desenhando cartuns, escrevendo artigos com duplo sentido, entrevistando a si mesmos e tomando porres em Ipanema. Eis que agora, os velhinhos voltam à cena e, segundo o Estadão, cobram a conta do contribuinte. Ziraldo e Jaguar se juntaram a outros espertinhos como Carlos Heitor Cony, e vão tungar dos cofres públicos mais de R$ 1 milhão de reais cada um mais um salarinho mensal. Sim, cada um a seu modo, teve uma postura crítica diante da cruel realidade brasileira na época, que aliás não mudou muito de lá para cá. Mas não fizeram isso por idealismo? Não fizeram isso porque era "a única coisa a ser feita naquela época"? Não fizeram isso porque eram legaizinhos e "prafrentex" como nos disseram através do Pasquim? Não é exatamente isso que se espera de pessoas honradas? Não é exatamente essa a postura de milhares, senão milhões de brasileiros que resistem a duras penas, à tremenda injustiça escancarada nas ruas pelos quatro cantos do país até hoje? O que esses senhores recomendariam a cada brasileiro que hoje se sinta injustiçado por algo que aconteceu há 30 anos? Que contrate um bom advogado para tungar um milhãozinho dos cofres públicos? Quem diria que esses senhores, no final da vida, figuras que sempre posaram de boa gente, amantes do humanismo, combatentes das desigualdades, defensores dos bons costumes... fossem dar um aplique desse na gente? Depois de todo o blablablá de décadas, no ocaso de suas carreiras, coroarem o currículum vitae com a invenção da "Bolsa Ditadura"?! Que vergonha! Tivemos que esperar esses anos todos para perceber, aos 45 do segundo tempo, que eles, esses velhinhos velhacos, são verdadeiramente, a geração perdida. Que este milhão arda no traseiro deles e o travesseiro não os deixe dormir em paz. PS1: depois de escrever o post acima, li no blog da Cora Ronai, além de um comentário precioso dela sobre o imbrolio, que Jaguar e Ziraldo vão receber da Justiça, a seguinte bolada, respectivamente: R$1.027.383,29 e R$1.253.000,24, mais pensão mensal de R$ 4.375,88. PS2: Leio ainda no blog de Reinaldo Azevedo, que existem mais de 30 mil de pedidos de Bolsa Ditadura correndo na Justiça. Abro aspas para Reinaldo: "Pegue-se o caso de Carlos Heitor Cony, que deve receber a maior pensão mensal vigente — mais de R$ 20 mil —, além de ter levado uma indenização superior a R$ 1,5 milhão. Teria sido demitido do Correio da Manhã, onde era editorialista, por causa da ditadura. Recebeu uma pensão como quem estivesse destinado a ser diretor de redação. E para quem ele foi trabalhar depois, tornando-se seu ghost writer? Para Adolfo Bloch, dono da Manchete, um entusiasta do regime militar, para o qual Cony ajudava a derramar elogios." E, olha a ironia do destino: "Vejam que engraçado. Sabem como o pessoal do Pasquim se referia a Cony? Como “Carlos Heitor Conyvente”. Passados alguns anos, eis que todos são agraciados com o título nobiliárquico de “perseguidos pela ditadura”. Jesus, que caras-de-pau!
Minhas Palavras (envergonhadas):
Cada vez mais me convenço de que não há herói no mundo que se salve de uma análise mais profunda. É triste, mas precisamos encarar a realidade para que, assim, consigamos superar o baque de ver nossos antigos mestres como eles realmente são: humanos, erráticos e falíveis. Se esperarmos deles mais do que isso, corremos sempre o risco de perdermos o pé na estrada.
Sempre gostei do Ziraldo, menos pela sua história e mais pelo seu empenho pela educação infantil. Nunca fui dado a tietagem, mas confesso que tinha grande simpatia pela pessoa do Ziraldo. Ainda tenho. Mas agora tenho muito menos respeito. Pela pessoa, que fique claro. A obra de Ziraldo continua intacta em meu coração.
E que fique claro ao Senhor Ziraldo, pessoa física: o Brasil não lhe deve nada. Eu não lhe devo nada. Nem um tostão. Comprei todos os seus livros que li. Comprei todas as revistas Bundas e Pasquim21 que li. O senhor foi devidamente pago por mim. Não lhe devo nada.
Nem mesmo, pensando bem, respeito ao seu primeiro milhão e aos seus cabelos brancos. O senhor mostrou que não fez por merecer...
Escrito por Alessandro DelArco às 10h07
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