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De volta à Academia
Ontem, após quase 20 anos, voltei a fazer academia. Sabe o que é isso? Academia é um lugar, geralmente suspeito, cheio de espelhos e janelas, muitas delas voltadas para os pedestres assombrados lá fora, onde um bando de gente se arrebenta em suor, corridas sem sair do lugar e levantamento de pessoa, para poder "arrasar" lá fora. E antes que os incautos comecem a fazer conjecturas sobre meu sedentarismo prático, digo logo: estava longe das academias, mas nunca sedentário. Neste longo período, pratiquei basquete, natação e Aikido. E estaria praticando este último se não tivesse sido vítima de uma cilada em um treino. Não, não foi nenhum outro aikidoísta que me passou uma rasteira enquanto treinava (e se tivesse, acreditem, faria parte do jogo). A cilada foi achar que, mesmo depois dos 30, eu continuaria a ter a mesma capacidade de reconstrução que tinha 10 anos antes. Complexo de Wolverine e seu fator de cura, eu acho. Estourei um ligamento precioso que existia entre meu ombro e minha clavícula. Após um ano e meio, duas cirurgias, três passeios a centro cirúrgicos, muita dor e após ter os buracos do meu ombro preenchidos por metais nobres e fios cirúrgicos para alta carga, tive alta no final do ano passado. Enxertos, parafusos e fios todos no lugar, agora preciso fazer os músculos do meu ombro e braço acordarem. Detalhe sórdido. Arrebentei o ombro esquerdo e sou canhoto. Escrever, que já não era uma experiência divertida antes, passou a ser dolorosa depois. Carregar sacolas de compras não é tão doloroso quanto um texto de 250 palavras. Comecei com a natação. Estava liberado para isso desde fevereiro do ano passado. Aguentei 9 meses, até a piscina da academia onde treinava se tornar "inabitável". Parei de novo e fiquei no aguardo. Mesmo com a natação, meu braço não parou de doer. Hora de entrar no peso... E lá fui eu. Sentindo-me um verdadeiro peixe fora d'água. E espero mesmo que seja verdade o que dizem sobre espelhos, que eles, quando muito grandes, distorcem as imagens, tornando-as mais atarracadas e mais gordas. Quando eu respondi que fazia vinte anos que não fazia aquilo, o instrutor nem se abalou. Acho que este meu corpo em forma de barril atual não deixa dúvidas. E eu, como um pateta, tentei argumentar que fazia outras coisas mas... Começo com trinta minutos de esteira. Trinta minutos andando sem sair do lugar. Primeiro foi a luta para me manter equilibrado sobre aquela coisa. Depois, outra luta para acertar a velocidade certa. E aí, mais 25 minutos olhando para a parede, ouvindo música de altíssima qualidade e... andando sem sair do lugar. Por fim fui até os aparelhos. Não tenho nada contra esse tipo de coisa, mas nunca tive uma convivência muito pacífica com aparelhos de ginástica. Quando fiz academia, 20 anos atrás (acho que eu já disse isso...), foi por ordens médicas. Eu estava crescendo muito e ficando encurvado e a academia ajuda a arrumar essa bagunça. Quando acordei hoje, foi como se um bonde estivesse estacionado sobre meus ombros. Escovar os dentes até que foi fácil, o difícil foi colocar a camisa e amarrar os sapatos. Troquei por sapatos sem cadarço que eu não sou besta. E hoje, com toda certeza (até porque o mês já está pago), volto lá. Amanhã, novos lugares devem doer pra burro. E assim vai. Até quando? Qual o sentido, vocês devem estar se perguntando, de escrever essa porcaria de texto sobre isso? Eu sei lá. Achei que devia registrar esse momento insólito. Não é todo dia que você retorna a algo que havia abandonado tanto tempo atrás jurando nunca mais passar por aquilo. Faz a gente pensar que "nunca" é uma palavra grande demais. Quase tão grande quanto meus pneuzinhos...
Escrito por Alessandro DelArco às 13h53
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Docentes Indecentes
(Não ficou tão bom quanto o original, mas dá pro gasto...)
Docentes não preparam aula e "falam o que dá na telha", diz aluna
DA SUCURSAL DO RIO DA REPORTAGEM LOCAL
Alunos de universidades que não atenderam à meta de professores em dedicação integral apontam algumas dificuldades nas condições de ensino. Estudante do segundo ano de publicidade da Unisa, Ana Carolina Teles, 20, afirma que somente um de seus professores trabalha exclusivamente lá. "É a única que traz apostilas, apresenta um cronograma. A maioria vem e fala o que dá na telha. Não há uma programação." Segundo ela, alguns dos docentes dizem que possuem outras atividades e não têm tempo para preparar as aulas. Já Yuri Alexandre Figueiró, 24, aluno de direito da Uniban, afirma que seus docentes não conseguem atender aos estudantes fora do horário de aula. Também diz que não é comum os docentes pedirem atividades extraclasse. "Eles vão à faculdade no horário das aulas. São advogados, juízes ou trabalham em órgão público." Apesar de receber pouco atendimento fora do horário, Yuri diz que as aulas são "muito boas".
Docentes Professores de universidades que não têm contrato de dedicação integral trabalham, em geral, de forma "precária", diz Nelson Bertarello, 51 -ele ganha apenas por aula dada em três escolas do ABC paulista. "Tem dia em que saio às 20h45 de uma instituição e tenho de estar às 21h10 na outra. Se atendo a um aluno, me atraso. É a realidade da profissão", diz ele, que é diretor do Sinpro-ABC (sindicato dos docentes da rede particular do ABC). Ele afirma não ser remunerado para preparar aula, atender aluno em dependência ou com trabalho de conclusão de curso. "A gente se esforça, mas sempre falta alguma coisa. A situação é precária", diz. "Sem o percentual exigido, a universidade não consegue dar conta das suas atividades, principalmente a pesquisa", diz o diretor do Sinpro-SP (sindicato dos professores da rede particular de São Paulo), José Faro. "O professor horista não consegue atender ao aluno mais de perto. Estou surpreso com o número de escolas que não cumpre a lei. O MEC já deveria estar fiscalizando", diz. (AG e FT)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1205200803.htm
Minhas Palavras
Chega a dar arrepios. Sempre tenho arrepios quando tenho náuseas. As declarações dos professores no texto acima são assustadoras. Para dizer o mínimo.
É impressionante a informação de que os professores, em geral, têm outras atividades e não têm tempo de preparar as aulas. Pior, vão sem uma programação à aula e falam o que dá na telha.
Pior é a convicção do Sr. Nelson Bertarello, que além de dar aulas, também é diretor do sindicato de professores de escolas particulares do ABC. Ele afirma, com todas as letras não “ser remunerado para preparar aula, atender aluno em dependência ou com trabalho de conclusão de curso”. E julga, apesar disso, ser muito esforçado em sua profissão.
Vou dizer uma coisa que talvez seja uma grande surpresa para os professores que comungam dessa idéia: uma aula começa com sua preparação. Não existe a menor possibilidade de um professor ser contratado para dar aulas, mas não para prepará-las. Um processo não existe sem o outro. Afinal, sala de aula não é lugar para emitir opinião, para falar “o que der na telha”. É lugar para que o senso crítico e o conhecimento comum sejam fomentados. O professor até pode emitir opinião, mas dele deve deixar bem claro que se trata disso. De resto, sempre há um programa a ser seguido, um assunto que deve ter seus principais pontos preparados anteriormente.
O fato dos professores evitarem trabalhos extra-classe é sintomático: eles não querem ter, também eles, mais trabalho extra-classe. Assim, todos saem ganhando – exceto o conhecimento e o bom preparo dos alunos.
Até entendo que um professor não deva ser obrigado a orientar alunos em seus trabalhos de graduação ou auxiliar alunos em dependência. Realmente uma faculdade pode ter um grupo de professores ou instrutores para estas atividades. Sem contar que nem todos os professores são habilitados a analisar monografias e opinar sobre elas. Mas é imprescindível que eles possam ao menos tirar as dúvidas dos alunos nos pequenos intervalos entre aulas.
Não sou professor, mas tenho pai professor e sou casado com uma professora. Muito embora tome tempo, ambos sabem muito bem a importância que tem o planejamento da aula. O estudo constante da matéria a ser dada. O domínio da disciplina e a importância do material extra-classe. Não creio que haja professor profissional que possa imaginar conseguir disseminar conhecimento sem esses requisitos acima.
A profissão de educar não é fácil. É nobre, mas nem sempre reconhecida de forma digna. Isso não quer dizer que o professor tenha que ser conivente com isso. Muito menos os alunos. Esse tipo de coisa me dá medo. O que nos aguarda no futuro?
Escrito por Alessandro DelArco às 18h25
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Maldito Internet Explorer
Acabo de perder um texto inteiro sobre os professores de universidades e faculdades particulares.
Tamanha é minha indignação com a notícia que vou tentar reescrever.
Mas que é um saco, isso é!!!
Escrito por Alessandro DelArco às 13h26
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