Isso só pode ser um pesadelo
Lamentável. Rídiculo. Assustador. Inquietante.
O desfecho do sequestro de Santo André teve um desfecho trágico. Trágico? Não. Tenho certeza que as famílias das duas meninas que ficaram em poder do bandido devem achar que o desfecho foi aterrorizante.
A comédia trágica de erros que foi esta operação policial mostra, de forma contundente, o despreparo da polícia - não só a paulista - para atuar em casos difíceis como este. Um garoto, tomado de forte emoção, segundo diziam os policiais, toma duas meninas de 15 anos como reféns e faz de palhaços toda uma corporação. Transforma em pó toda uma imagem positiva que a PM de São Paulo demorou anos para construir. Uma imagem de polícia preparada, voltada ao bem-estar do cidadão e pouco sujeita à corrupção. Tudo cai por terra. Tudo é possível em uma corporação que comete erros após erros em uma situação envolvendo um sequestrador amador e - não posso deixar de imaginar que seja assim - não muito inteligente.
Este despreparo pode ter custado a vida de uma das garotas. Segundo as notícias, a ex-namorada do criminoso teve ferimentos graves, com perda de massa encefálica, inclusive. E sua amiga também foi ferida, muito embora as notícias sobre ela ainda sejam escassas. Jamais a vida da ex-namorada será a mesma. Nem de sua amiga, que foi tirada de casa, onde estava sã e salva, para retornar ao circo armado pelo bandido.
E agora? A tristeza que eu sinto pelo desfecho dessa situação só é superada pela seguinte preocupação: e se fosse alguém da minha família? Seria a polícia ineficiente da mesma forma? É aterrorizante pensar em uma coisa dessas. Quando pensamos em policiais, gostamos de pensar em homens e mulheres que têm mais sangue frio que nós para resolver situações críticas envolvendo violência. Não o fosse, colocassem um rifle com mira telescópia na mão do pai da ex-namorada e ele teria pensado rapidamente em um jeito de salvar sua filha.
Mas não é o caso. Recolhidos os pedaços de todas as vidas que foram afetadas pelo episódio, é hora de pensar em não deixar que algo como isso se repita. Reorganizar a polícia, treinar negociadores.
E nunca, jamais, permitir que a vida de alguém armado valha mais do que as vidas de duas inocentes.
Escrito por Alessandro DelArco às 21h23
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