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Sobre o tema anterior
Esta semana, em viagem pela empresa em que trabalho, tive a oportunidade de dar carona a um policial militar.
Conversamos um pouco de tudo, mas evidentemente caímos no assunto GATE-Eloá. E, assim, tive a oportunidade de ouvir quem trabalha do lado de lá do gatilho.
E ele me disse uma coisa assutadora. Embora toda a opinião pública estivesse dizendo que o certo era que o bandido assassino tivesse sido abatido por um atirador de elite bem posicionado, o comandante tinha outras coisas em mente. Ele tinha em mente o fato de que o sequestrador era jovem, sem passagens pela polícia e, segundo o advogado do covarde sequestrador (como esses caras aparecem rápido pra tomar conta de bandido, não?), estava sob forte emoção. Se o rapaz fosse abatido e as duas garotas fossem salvas, era provável que o comandante saísse dali algemado. Cadeia para o facínora policial que usou de excesso de força para finalizar a crise.
Parece piada, não é mesmo? Mas não é. É fato. Despreparo a parte, erros a parte, o comandante estava, como diria, de mãos atadas, por causa da legislação brasileira. Chega a ser cômico. Certeza que isso passou pela cabeça de todos os policiais presentes. E faz com que a gente entenda um monte de coisas.
E fica aquela impressão: a vida de alguém jovem e bonitinho, ainda que fortemente armado e disposto a matar (como provou com os tiros que disparou), vale mais do que a vida de duas meninas inocentes. Ao menos segundo a legislação brasileira.
Escrito por Alessandro DelArco às 21h05
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