Agora Falando Sério
  Sobre o Filme "Mamma Mia"

Assisti a um dos hits do momento. Um filme recheado de estrelas do cinema: Merryl Streep, Pierce Brosnan e Colin Firth, entre outros.
Confesso que fui ao filme enganado: Não sabia que era um musical. Soubesse, não teria nem entrado no cinema, pois notoriamente não gosto de musicais.
Mas entrei, assisti até o final, me afundei na cadeira nos vários momentos constrangedores que o filme proporciona, ri das várias cenas hilariantes que as duas backing vocals da Merryl Streep proporcionaram (Julie Waters - de Harry Potter - e Cristine Baranski - de A Gaiola das Loucas, versão americana). E, ao final, dei meu veredito: sobrevivi ao filme, mas não gostei.
o Enredo é fraco e as atuações semprem tendem para a comédia ou para o drama pastelão. A sensação que tive ao assistir o filme foi bem diferente da que tive assistindo a "Chicago". O Primeiro é um filme leve, quase uma comédia de praia, onde o roteirista fez uma força danada para encaixar as músicas do ABBA na trama. O segundo é uma superprodução onde as diversas músicas foram escritas especialmente para o filme. Não gostei de nenhum dos dois, mas por motivos diferentes.O que eu não esperava é que, por não ter gostado do filme, eu seria alvo de preconceito por parte das "gentes cultas" que me cercam. Fui a um coquetel outro dia onde fui escrachado por ter tido essa impressão negativa do filme. Fui taxado de ignorante pra baixo, ainda que de forma velada e, em vários casos, de forma até educada. Fui chamado de "novinho" (que nem sou mais, e faz tempo!!), de não ter participado da "Geração ABBA" e de não ser aberto a novidades culturais.
Taí, aceito MESMO ser criticado. Especialmente quando tenho uma opinião sobre alguém ou alguma coisa que não corresponde à realidade. Já tive meus péssimos momentos sim, atacando ou defendendo idéias que foram claramente confirmadas por fatos que se opunham diretamente ao que eu imaginava. Quando me atrevo a falar de política isso quase sempre acontece.
Mas não tolero ser criticado, ou rotulado, baseado em um filme de terceira categoria. Ainda mais sendo ele musical. Ninguém veio me perguntar se assisti "Casablanca", "A um Passo da Eternidade", "Os Sete Samurais" e gostei deles. Ou se gostei e entendi a visão angelical de "Asas do Desejo". Não. Ninguém me perguntou se eu ficava acordado aos domingos a noite para assistir ao Cineclube da Rede Globo, que passava filmes clássicos como "O Falcão Maltês" e "Sindicato de Ladrões". Apenas deduziram que, se eu não gosto de musicais, eu sou um orangotango, não sou descolado e não gosto nem de música nem de cinema. Que sou, em outras palavras, ignorante. Tudo isso baseados em um filme que, pasmem, não é nenhuma maravilha da sétima arte. É apenas um filme mediano, para não dizer medíocre (que significa a mesma coisa mas ganhou significado mais negativo...).
Tudo bem. Quem me criticou não é conhecida mesmo pela boa cultura, embora represente a cultura (Não, vocês não vão entender essa...). Mas ser rotulado é algo que incomoda. Mesmo que seja por ela.

Mas afinal, por que é que estou tocando neste assunto? Porque quero voltar àquela velha questão: Como é que se mede a cultura de uma pessoa? É possível fazer isso? Vi, uma vez, o escritor Ariano Suassuna dizer que ele considera cultura popular e cultura erudita tudo a mesma coisa. E que ele estudava a cultura popular simplesmente porque ninguém dava bola pra ela. Será que ele não tem razão? Será que a turma tem uns conceitos pré-concebidos do que seja cultura (preconceito?) e de quais pessoas são cultas mas não chegam necessariamente a refletir sobre isso? O que torna ela culta? Livros? Música? Teatro? Cinema? Nesse contexto, Paulo Coelho, Soweto, Trair e Coçar é Só Começar e O Exterminador do Futuro tornariam alguém mais culto? Ou são apenas entretenimento? E entretenimento pode ser considerado cultura? Um cara que leia Guimarães Rosa, ouça Jazz e MPB mas deteste filmes musicais é, necessariamente, inculto? Não é descolado? Não é aberto a novidades? Em qual normalização cultural está escrito que o cara precisa ler Guimarães Rosa e ouvir jazz pra ser considerado culto?

Só pra finalizar, que esse assunto já se estendeu demais: Nunca, em toda minha vida, li um livro pensando "ah, vou ler esse porque aí ficarei mais culto!". Na verdade, acho esse tipo de pensamento meio imbecilizado. Leio porque gosto de ler. Vou ao cinema porque adoro aquela sensação de ser envolvido no filme. Ouço música quando, de alguma forma, ela consegue me impressionar. Não acho que um tipo de música, um tipo de filme ou um tipo de livro em especial possa me tornar mais ou menos culto. Cada um deles pode me divertir (ou não) de várias maneiras.

Alguns não conseguem me divertir nem que tentem muito. Alguns filmes, nem com a proibição da pipoca no cinema (eu odeio o croc-croc enquanto estou assistindo ao filme). Mamma Mia bem que tentou. Em certos momentos, sobretudo naqueles onde não havia o raio da música mal colocada pra torrar minha paciência, conseguiu. Isso não me tornou um cara melhor. Nem mais rico, nem mais pobre. Mas o conjunto dos filmes que tenho assistido desde a minha infância me dão cacife para dizer o seguinte: O filme, como musical, é mediano. Se não fosse musical, seria medíocre. Se não tivesse sido feito, o cinema não teria se abalado de forma alguma.

Mas tentem fazer essa experiência com Cidadão Kane ou O Poderoso Chefão...



Preciso me lembrar disso da próxima vez que for criticar alguém...



Escrito por Alessandro DelArco às 13h20
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  Mais desdobramentos sobre o caso Santo André

Segundo a notícia veiculada pela Folha on line, que segue no link abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u461212.shtml

O "tiro de neutralização" em Lindemberg não tinha sido autorizado pelo Gabinete de Crise. Para quem tem menos familiaridade que eu com essa terminologia, aí vai uma breve explicação do que garimpei com amigos policiais: toda vez que há uma "crise", que deve-se entender como uma situação em que haja crimonosos armados contra reféns, cria-se um gabinete de crise, composto essencialmente do governador do Estado e de oficiais das forças armadas. No caso, da PM de São Paulo. O governador é o chefe supremo da PM. Segundo as leis brasileiras, um atirador de elite só pode atuar se receber uma ordem vinda do gabinete de crise. Em última instância, a ordem parte do governador.
Fica, portanto, a dúvida: terá sido Eloá vitimada pela campanha eleitoral de São Paulo, que tinha como candidato a prefeito um político apadrinhado pelo Governador do Estado? Um tiro certeiro salvando a vida de duas garotas teria tido mais impacto do que a ação frustrada do GATE na invasão? Impacto negativo, eu pergunto. Não sei. Mas espero que a vida de Eloá não tenha dependido deste tipo de argumentação.
A verdade, ora a verdade...

Escrito por Alessandro DelArco às 11h41
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