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E a opinião pública, ora a opinião pública
Segue um trecho da coluna da Lucia Hippolito em seu blog, sobre nosso sistema eleitoral: -------------------------------------------------------------------------------------------- Lista fechada é golpe A “esperteza” dos deputados federais contra os eleitores e contra a soberania popular, tentando instituindo o voto em listas fechadas (para deputados federais e estaduais e para vereadores), já começou a render frutos. (...) Então, para recolocar os pingos nos iis, vamos lá. O Brasil pratica um tipo muito peculiar de voto proporcional. Lista aberta (o eleitor escolhe seu candidato), coligações em eleições proporcionais (juntando cobra, jacaré e elefante no mesmo palanque) e um mecanismo inteiramente perverso de distribuição das sobras eleitorais. Resultado: o eleitor vota num candidato honestíssimo... e seu voto pode servir para eleger um bandido. O eleitor brasileiro não tem a menor idéia de quem foi eleito com o seu voto. Não custa lembrar: nas eleições de 2006, apenas 39 deputados federais, em todo o Brasil, atingiram o quociente eleitoral de seus estados. Em outras palavras: apenas 39 deputados federais se elegeram com os próprios votos. Os restantes 474 se elegeram com votos da coligação e das sobras eleitorais. O atual presidente da Câmara, dep. Michel Temer, por exemplo, foi o último colocado no PMDB. Quase não é eleito, precisou dos votos da coligação e das sobras. Mas hoje é o todo-poderoso presidente da Câmara dos Deputados. Pode?! O sistema está inteiramente distorcido. A vontade do eleitor é inteiramente desrespeitada. A distância entre o representado e o representante (que não representa mais ninguém, apenas ele mesmo). O sistema eleitoral brasileiro deixou de reproduzir suas virtudes, reproduz apenas seus defeitos. (...) Uma proposta que mereceria ser analisada é a do distritão. O projeto, do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), é bem simples. Para a eleição de deputado federal e estadual, por exemplo, o estado é o distrito. Serão eleitos os mais votados, acabando com votos de coligação e com sobras eleitorais. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, são 46 deputados federais. Os 46 mais votados seriam considerados eleitos, independentemente do partido pelo qual se candidataram. Mas seriam eleitos com os próprios votos. Atualmente, são 70 os deputados estaduais fluminenses. Da mesma forma, os 70 primeiros seriam considerados eleitos. Mantém-se a proporcionalidade, reaproxima-se o deputado do eleitor e não se impede o eleitor de votar em seu candidato. Simples, não? O único problema é que os candidatos teriam que mostrar sua cara, dialogar diretamente com o eleitor e, uma vez eleitos, teriam que andar na linha e prestar contas do exercício do seu mandato. Como o eleitor saberia perfeitamente quem foi eleito e quem não foi, a cobrança ficaria mais fácil. Talvez, exatamente por esta transparência e por esta exposição dos políticos diante de seus eleitores, este projeto do distritão não corre o menor risco de ser aprovado. Uma pena. Para ler na íntegra: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/posts/2009/05/07/lista-fechada-golpe-184083.asp ---------------------------------------------------------------------------------------------- minhas Palavras Ao que parece, não é preciso ir longe para perceber que o "nobre parlamentar" tem razão quando diz que está se lixando para a opinião pública. Para que ele se lixaria? Ele tem todo um sistema legalizado que o permite continuar ignorando nossa opinião. Então ele está em pleno gozo de seus direitos. Quer queiramos, quer não, a chance dele ser reeleito simplesmente por causa do sistema eleitoral é muito grande. E isso vale para um monte de nobilíssimos parlamentares iguais - ou piores que ele. Isso inclui também essa massa disforme e sem rosto conhecida por "suplentes". Alguém aí votou para este cargo? Faz alguma idéia de quem está substituindo o seu candidato eleito, se ele está ocupando algum ministério ou secretaria, por exemplo? Tudo isso para dizer o seguinte: não vamos conseguir mudar o rumo da Legião ("Senhor, nosso nome é Legião, pois somos muitos...") se não lutarmos para mudar o sistema que os coloca lá. Não adianta votarmos nulo, não adianta votarmos em branco. Do jeito que está, não adianta votarmos nem mesmo no nosso candidato. Como não temos controle sobre o que está sendo feito com nosso voto, como podemos mudar alguma coisa. Dizem que o voto é uma arma. Que tem sido usada contra nós, ao que parece. E esse desgraçado me fez descumprir a promessa de não mais falar sobre política neste espaço...
Escrito por Alessandro DelArco às 14h55
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