Agora Falando Sério
  Sobre Amor e Paixão - texto autoral

Sinto arrepios toda vez que ouço alguém comentando sobre “questões de amor e ódio”. Fica parecendo que um sentimento se opõe ao outro. E, ao menos até onde eu vejo, não é nada disso.

 

Ódio, muito embora a maioria dos dicionários não registre isso, se opõe à paixão. O amor, na verdade, está acima disso. Paixão e ódio são sentimentos que carregam sensações e emoções fortes e, de certa forma, muito parecidas. Uma das semelhanças entre eles é serem bastante passageiros. Nada mais volátil que uma paixão arrebatadora. Nada menos duradouro que o ódio cego. O que não quer dizer que estes sentimentos necessariamente dissolvam-se no ar facilmente. Ambos, se alimentados, durarão indefinidamente.

 

As paixões se cultivam. Em pensamentos de carinho, em sonhos libidinosos e em sensações e esperanças que nem sempre se concretizam. Namoram-se os pensamentos a respeito destas paixões e deliciam-se com as sensações de prazer que causam esses devaneios. Na paixão há um bocado de espaço para o sofrimento, mas geralmente o que prevalece é a alegria. Mas a paixão é um bocado incompreendida. Até os mais valorosos poetas a confundem grotescamente com o amor. Vinicius de Moraes dizia que o amor é chama, portanto não é eterno. Digo que este é o retrato fiel da paixão, mas não do amor.

 

O amor é superior à paixão. O amor não precisa ser cultivado. Não, ao menos, da maneira como a paixão. O que acontece com o amor não cultivado é que ele fica esquecido em algum lugar do coração, sempre pronto a acordar. A paixão morre. Aquele que ama, ama mesmo sem paixão.

 

É inegável que a paixão pode levar ao amor. E é possível amar diversas pessoas ao mesmo tempo. Mas nunca do mesmo jeito. Já a paixão é sempre parecida. E se a paixão consome, o amor alimenta. O amor é uma dádiva. Uma benção. A paixão nem sempre o é. E nem sempre merece ser exposta ao mundo.

 

Mas o amor sim. O amor não deve ficar escondido. A benção do amor reflete tanto a pessoa que ama quanto a que é amada. Assim, quem é amado deve saber disso, mesmo que o amor não seja recíproco. Não é bom que o amor fique escondido, irrevelado. É como a parábola onde o trabalhador que ganha um “talento” de seu senhor e o enterra no campo, com medo de perdê-lo. O senhor, vendo isso, castiga o trabalhador. Quem é amado tem o direito de saber disso, pois saber-se amado é saber-se vivo, saber-se querido e, no fim, perceber que nunca se está sozinho. Quem ama deve revelar-se, para que seu amor, ainda que de forma imperceptível, possa transformar o mundo. E para mostrar que é sempre bom amar.



Escrito por Alessandro DelArco às 16h22
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  Sobre Críticos e Críticas

Quem é apaixonado por literatura, como eu, às vezes se arrisca a ler alguma resenha ou crítica sobre algum livro. Às vezes, você esbarra em uma crítica mesmo quando não quer. E freqüentemente fica horrorizado com elas.

Particularmente, não gosto de críticas jornalísticas, sobretudo as que são escritas por jornalistas brasileiros. Os críticos de cinema e literatura brasileiros são sentimentais demais, subjetivos demais e são dados a confundir o escritor do livro ou diretor do filme com as pessoas que estes escritores e diretores são. Além disso, é bastante comum encontrarmos simplesmente as impressões pessoais e sensações dos críticos nos textos. E nenhum dado técnico complementar, que nos ajude – nós, pobres mortais – a entender porque determinado livro ou filme é tão ruim. Porque se for pra ler em uma crítica que simplesmente repita o que eu entendi, senti e analisei nas obras, pra que ler a crítica?

De todas, as críticas literárias e cinematográficas da Veja são as piores. É bem comum eles contarem o final do filme ou revelarem alguma parte do livro que, convenhamos, seria muito mais interessante se descobríssemos sozinhos no texto. Mais comum ainda é os autores e diretores serem tratados sem o mínimo de respeito pelos jornalistas. E, neste caso, refiro-me tanto às pessoas dos autores e diretores quanto suas obras. Por causa disso, sempre que leio uma crítica na Veja eu o faço com um pé atrás. E nunca, jamais leio uma de cinema antes de ver o filme.

Mas, falando sério, nunca mudei de opinião com relação a uma obra depois de ler a Veja ou qualquer outra revista ou jornais. E porque isso me preocupa, afinal? Porque alguns dos problemas que temos com a quantidade de leitores de qualidade no Brasil passam justamente pelo tipo de crítica literária que se faz. Nossa crítica tem uma verdadeira aversão pela leitura desengajada. Eles morrem de vergonha quando flagram um escritor brasileiro escrevendo sobre nada e fazendo sucesso. Nada de filosofia, nada de crítica social, nada de... literatura. Mas livros vendendo a rodo. Eles acham uma audácia que um escritor brasileiro escreva um livro simplesmente pelo prazer de colocar no papel uma história (que às vezes nem é tão original assim), sem se preocupar em colocar alguma figura semiótica no texto. Se o infeliz ainda vender mais que cinco mil cópias do livro, então, será ridicularizado em praça pública e será tratado como medíocre, prepotente (olha a prepotência aqui de novo!) e, se não bastar, como farsa.

Somente no Brasil escritores de livros “consumíveis” são tratados com tanto desprezo. Nos EUA e Europa, onde são singelamente conhecidos como escritores de Best-sellers, são tratados como pessoas importantes no cenário cultural. E escrevem livros consumíveis, livros para LER. E eles lêem muito, esses americanos e europeus. Muito mais do que nós e em proporções astronômicas. E nenhum desses livros possuem estudos aprofundados de metafísica ou sociologia comparada. Eles deixam isso aos seus colegas acadêmicos (a não ser que vá render uma boa história!).

Mas isso não é possível no Brasil. E a Veja desta semana, a edição 2121 de julho de 2009, mais precisamente na coluna de Diogo Mainardi, deixa isso bem claro. Em sua coluna, Mainardi se utiliza de uma afirmação supostamente feita pela escritora irlandesa Edna O’brien para criticar Chico Buarque. E o que ele critica, através da escritora? Que Chico Buarque é uma fraude cheia de empáfia e de desconhecimento literário, dado a enganar facilmente a platéia – e, possivelmente, os leitores.

O “Cantinho do Suicídio” – como eu chamo a famigerada e sempre mal-humorada coluna da Veja – não é o melhor lugar do mundo para ficar bem informado, pois trata-se de uma coluna de opinião, não de informação. Mas é bastante lida. A coluna não menciona, por exemplo, que Chico Buarque é reverenciado porque é escritor, mas porque é um dos maiores e mais queridos compositores que esta terra já teve a felicidade de produzir. Chico, o compositor, é elegante, empolgante. Já Chico, o escritor, não tem o mesmo brilho do compositor. Seus livros não têm o peso lírico ou o fascínio de suas músicas. Paciência. Chico, ao contrário de Paulo Coelho, não parece ter pretensão de ser reconhecido como Imortal na ABL. Tem só a pretensão de ser lido pelo mesmo público, talvez, que ouve suas músicas.

E, ao que parece, é isso que incomoda Diogo Mainardi. O texto não parece querer destruir apenas os livros que Chico Buarque tenha escrito, embora isso aconteça. Procura também destruir o homem que o escreveu. É subjetivo, emocional e constrange o leitor de “Leite Derramado” e “Budapeste”, mais do que constrange o próprio autor. E isso, esse constrangimento, destrói leitores, sobretudo os que estão em formação. Quem já não sentiu vergonha de dizer que lia Harry Potter ou Crepúsculo? Mesmo quem nunca leu mais do que um livro da Coleção Vagalume torce o nariz quando ouve que você lê e gosta desse tipo de livro. E daí que os livros de Chico Buarque não são bons, do ponto de vista da literatura? Tem gente lendo? Ótimo! Melhor que leiam mesmo, quaisquer livros. Se há uma coisa boa nos livros é que eles, fechados, não podem causar mal a ninguém. Se você não gosta, feche-o, ignore-o. Ou trate-o como o que ele é, uma história. Mas ainda assim, sempre vou achar que um livro, depois de lido, é melhor do que o que não foi lido. Não importa se foi “Dom Casmurro” ou “O Caçador de Pipas”. O importante é ter gente lendo. E o leitor de bobagens de hoje é quase sempre o leitor de obras importantes de amanhã. Mas para partir de “Budapeste” até chegar a “Memórias Póstumas de Brás Cubas” há um longo caminho a ser percorrido. E ninguém irá percorrer se não aprender como se faz. E críticas como as da colunas de Mainardi não ajudam em nada.



Escrito por Alessandro DelArco às 01h35
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  E agora o assunto é esporte. Eu acho

Estava lendo, outro dia, uma revista dessas especializadas em corridas. Não sobre corridas de carro. Corridas a pé. Sabe aquelas que nos anos 80 costumavam chamar de “Cooper”, por causa de um médico americano; depois nos anos 90 foi praticamente proibida por todos os médicos e preparadores físicos do mundo porque podia causar distensões, contusões, descolamentos de retina, câncer, catarata, febre alta e dor, essas coisas simples? Aí, sabe-se Deus porque, na virada do milênio ganhou status de moda e todo mundo resolver dizer que corria. E choveram produtos consumíveis sobre o tema, como revistas, programas de TV, livros, DVD’s e tudo o que o seu rico dinheirinho possa comprar com gosto.

E aí se descobriu um mundo místico envolvendo as corridas: Técnicas apuradas, tênis pra lá de especiais, corredores barrigudos que bradam aos quatro cantos que correm desde tenra idade. Isso sem contar que, depois dessa explosão, a corrida nunca mais foi a mesma. Se antes, na época do Dr. Cooper, o que bastava era um tênis e roupas confortáveis para que você pudesse correr três corridas de meia hora por semana, agora você, para um pequeno treino de 10 minutos (ah, é, tem isso também: ninguém “corre”, todo mundo treina ou compete...) você precisa de um cronômetro de precisão, um medidor de batimentos cardíacos, um GPS para medir o trajeto, um tênis com solado de gelatina balística, camiseta dry-fit fluorescente, um treinador que já tenha treinado no mínimo 3 campeões mundiais da meia maratona de NY e, finalmente, um plano de corridas que abranja no mínimo 3 anos com cada segundo, ou melhor, quilômetro, ou melhor K (porque a nova geração de corredores não corre tempo nem quilômetros, mas “K’s”, seja lá que unidade de medida que seja essa.). ou você não será digno de ser chamado corredor.

Interessante como estes produtos, sobretudo as revistas, conseguem transformar um tema tão simples em algo quase transcendental. Lê-las é imaginar que a corrida pode levá-lo a um patamar mais profundo da existência humana. Que você pode superar medos, traumas e problemas psicológicos através dos treinos e das provas de 1K, 5K e outrosK.

Francamente, nada contra corridas. Eu mesmo acho um jeito muito legal de manter a forma, como discutirei em outro post. Mas será que era preciso criar todo esse circo? É útil? Necessário? Será que sem eles as pessoas não iriam correr? Quero dizer, treinar?

É o mal desse começo de século. Nada pode ser simples, nada pode ser fácil. Muito menos barato. Você tem que entender a diferença entre pisada pronada e supinada. Precisa também entender que uma corridinha não é o suficiente, você precisa de “tiros” “corrida leve”, “corrida moderada”, “grupos de apoio” e, claro, “ideais”. Você precisa saber o que quer, aonde quer chegar, marcar tempo, distâncias, ter uma agenda rigorosa de treinos e provas, mudar sempre o seu percurso senão os deuses malvados da corrida irão tornar você um ser humano obeso e, talvez, menos neurótico.

Não ria. Li tudo isso que está acima em uma única edição. Não foi a única que li, mas olha só a quantidade de informação execrável você consegue armazenar nela. É uma chatice sem fim. Como diria Macunaíma: ai que preguiça...

É claro que não tem só porcaria. Tem muita coisa boa, como dicas de alongamento, algumas piadas auto-imunes e alguns macetes interessantes para quem quer correr. Mas você termina a leitura simplesmente achando que não faz parte da turma. E não será parte até que siga a risca todos os mandamentos.



Escrito por Alessandro DelArco às 00h39
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  E a opinião pública, ora a opinião pública

Segue um trecho da coluna da Lucia Hippolito em seu blog, sobre nosso sistema eleitoral:
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Lista fechada é golpe
A “esperteza” dos deputados federais contra os eleitores e contra a soberania popular, tentando instituindo o voto em listas fechadas (para deputados federais e estaduais e para vereadores), já começou a render frutos.
(...)
Então, para recolocar os pingos nos iis, vamos lá.
O Brasil pratica um tipo muito peculiar de voto proporcional. Lista aberta (o eleitor escolhe seu candidato), coligações em eleições proporcionais (juntando cobra, jacaré e elefante no mesmo palanque) e um mecanismo inteiramente perverso de distribuição das sobras eleitorais.
Resultado: o eleitor vota num candidato honestíssimo... e seu voto pode servir para eleger um bandido. O eleitor brasileiro não tem a menor idéia de quem foi eleito com o seu voto.
Não custa lembrar: nas eleições de 2006, apenas 39 deputados federais, em todo o Brasil, atingiram o quociente eleitoral de seus estados.
Em outras palavras: apenas 39 deputados federais se elegeram com os próprios votos. Os restantes 474 se elegeram com votos da coligação e das sobras eleitorais.
O atual presidente da Câmara, dep. Michel Temer, por exemplo, foi o último colocado no PMDB. Quase não é eleito, precisou dos votos da coligação e das sobras. Mas hoje é o todo-poderoso presidente da Câmara dos Deputados. Pode?!
O sistema está inteiramente distorcido. A vontade do eleitor é inteiramente desrespeitada. A distância entre o representado e o representante (que não representa mais ninguém, apenas ele mesmo).
O sistema eleitoral brasileiro deixou de reproduzir suas virtudes, reproduz apenas seus defeitos.
(...)
Uma proposta que mereceria ser analisada é a do distritão.
O projeto, do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), é bem simples. Para a eleição de deputado federal e estadual, por exemplo, o estado é o distrito. Serão eleitos os mais votados, acabando com votos de coligação e com sobras eleitorais.
No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, são 46 deputados federais. Os 46 mais votados seriam considerados eleitos, independentemente do partido pelo qual se candidataram. Mas seriam eleitos com os próprios votos.
Atualmente, são 70 os deputados estaduais fluminenses. Da mesma forma, os 70 primeiros seriam considerados eleitos.
Mantém-se a proporcionalidade, reaproxima-se o deputado do eleitor e não se impede o eleitor de votar em seu candidato.
Simples, não?
O único problema é que os candidatos teriam que mostrar sua cara, dialogar diretamente com o eleitor e, uma vez eleitos, teriam que andar na linha e prestar contas do exercício do seu mandato.
Como o eleitor saberia perfeitamente quem foi eleito e quem não foi, a cobrança ficaria mais fácil.
Talvez, exatamente por esta transparência e por esta exposição dos políticos diante de seus eleitores, este projeto do distritão não corre o menor risco de ser aprovado.
Uma pena.

Para ler na íntegra: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/posts/2009/05/07/lista-fechada-golpe-184083.asp
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minhas Palavras

Ao que parece, não é preciso ir longe para perceber que o "nobre parlamentar" tem razão quando diz que está se lixando para a opinião pública. Para que ele se lixaria? Ele tem todo um sistema legalizado que o permite continuar ignorando nossa opinião. Então ele está em pleno gozo de seus direitos. Quer queiramos, quer não, a chance dele ser reeleito simplesmente por causa do sistema eleitoral é muito grande. E isso vale para um monte de nobilíssimos parlamentares iguais - ou piores que ele.
Isso inclui também essa massa disforme e sem rosto conhecida por "suplentes". Alguém aí votou para este cargo? Faz alguma idéia de quem está substituindo o seu candidato eleito, se ele está ocupando algum ministério ou secretaria, por exemplo?
Tudo isso para dizer o seguinte: não vamos conseguir mudar o rumo da Legião ("Senhor, nosso nome é Legião, pois somos muitos...") se não lutarmos para mudar o sistema que os coloca lá. Não adianta votarmos nulo, não adianta votarmos em branco. Do jeito que está, não adianta votarmos nem mesmo no nosso candidato. Como não temos controle sobre o que está sendo feito com nosso voto, como podemos mudar alguma coisa.
Dizem que o voto é uma arma. Que tem sido usada contra nós, ao que parece.

E esse desgraçado me fez descumprir a promessa de não mais falar sobre política neste espaço...



Escrito por Alessandro DelArco às 14h55
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  Um cartunista chamado Orlandeli

 

Conheci o Orlandeli no longíquo ano de 1986. E na época ele ainda era conhecido como Walmir. Já era um sujeito legal, meio gordo, bom de papo e extremamente engraçado. E acreditem, tinha um topete monstruoso, quase ao estilo Elvis.

Nessa época, o Walmir já gostava de duas coisas: quadrinhos e desenho. Foi ele quem me apresentou à nova safra de gibis da DC, como "O Cavaleiro das Trevas" e "Piada Mortal". E foi ele quem me disse que o tal "V de Vingança" era bom pra caramba. E me emprestou um monte de outros gibis, como "Guerras Secretas", da Marvel, e um livro de charges que haviam sobrevivido ao regime militar, do qual não me lembro o nome mas não consigo esquecer de certas piadas. Ah, e me apresentou a um cartunista brasileiro genial que anda sumido, chamado Luiz Gê. Não pessoalmente, ô orangoman: me apresentou ao TRABALHO do Luiz.

O Walmir já desenhava naquele tempo. Na turma, era bastante admirado por isso. Um traço simples, mesmo quando desenhava de forma clássica, porém bastante eficiente, principalmente quando o negócio era fazer rir. Jeca Bond e um pernilongo que tinha sido afetado pelo Césio de Goiânia eram seus personagens favoritos. E desde essa época ele já buscava sua profissionalização. Fez um curso de desenho pelo IUB, tentou algumas incursões no Salão de Humor de Piracicaba, mandou tiras para algumas revistas famosas naqueles dias. Tenho uma delas aqui comigo: Na seção de cartas da Porrada Special nº 4, na página 31, ele recebe uma chuveirada de água fria do editor Gilberto Firmino sobre a possibilidade de publicar na revista. Esta revista, em especial, mexia com a gente porque trazia vários bons quadrinistas e cartunistas fenomenais, como Calazans (brasileiro) e Horacio Altuna (Argentino). Era dada à experimentação e tinha desenhistas terrivelmente ruins em sua galeria.

Mas foi nessa época também que EU tive a oportunidade de mostrar algo genial a ele: Os quadrinhos do Henfil que o Estadão publicava. E eu tinha uma coleção deles, que foi rapidamente copiada pelo Walmir. E isso foi sensacional, pois o traço do Henfil delineou e inspirou toda a segunda fase do Walmir rumo à profissionalização. Ele abraçou a sugestão do Firmino e estudou exaustivamente aquela forma única que o Henfil tinha de fazer quadrinhos. E deu no que deu. Ele deixou de ser Walmir e passou a ser Orlandeli, com mais de 10 anos de Diario da Região e um (tão sonhado) prêmio no Salão de Humor de Piracicaba.

Com o tempo, perdemos contato. Estudamos em escolas diferentes, eu saí de Rio Preto para fazer faculdade e os encontros têm sido cada vez mais difíceis. Por sorte, posso acompanhar a carreira do Orlandeli através da Internet. Soube que ele perdeu peso e também os cabelos. O primeiro, descuidando ele acha de novo. Já os outros ele não encontra de novo. E os dois cartuns que ilustram esta página são uma prova do quanto o cara anda inspirado. SIC, sua nova série, é um bom exemplo de humor maduro, de quem realmente já chegou lá. No começo eu ainda ficava todo contente quando via seus desenhos, ilustrações ou cartuns em revistas e jornais Brasil afora. Depois perdeu a graça. O Josias de Souza, por exemplo, vive postando ilustrações do cara. E a Superinteressante ou a Mundo Estranho idem. Tem graça ficar mandando mensagem "vi seu desenho em tal lugar!!!!" nessas condições?

Do Jeca Bond para o mundo. É isso aí, meu amigo! Que muitos mais quadrinhos e prêmios venham por aí.



Escrito por Alessandro DelArco às 01h52
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  É o fim do verão?

Acabou o verão.

Oficialmente? Não faço a menor idéia. Morar no Brasil, especificamente em uma cidade que é quente o ano todo me deixou meio insensível ao calendário oficial de estações climáticas.

O problema é que é inevitável perceber. Comigo foi na terça-feira, quando voltava pra casa depois de uma reunião difícil. Saí do escritório e quando cheguei em Ribeirão, o fim de tarde parecia mais cinzento que o normal. Era o tempo me gritando que o fim estava próximo. O fim do verão, claro.

Eu gosto do verão, ainda que não o aproveite do jeito que deveria a anos. Não vou à praia no verão, não costumo viajar para lugares diferentes nem tirar férias nessa época. Mas mesmo assim o verão é uma época alegre, na minha opinião. Dias longos e claros, calor, sol à vontade (ás vezes acho que à vontade demais). Tudo parece mais alegre.

Agora acabou. A noite despenca às 18h30, as pessoas somem das ruas, o ar fica mais pesado e o calor permanece. Nem as águas de março, que parecem ter definitivamente se mudado para abril, estão ajudando a aplacar o calorão. Calor é bom, mas o sol tem que vir junto. Um sem o outro é melancólico.

Que o coitado do Outono não fique bravo comigo. Não é que eu não goste dele. Me recuso "desgostar" de qualquer época do ano. Mas prefiro dias mais longos e noites mais curtas. Gosto da sensação de sentir que o dia vai alto e claro quando saio do trabalho.

Sei lá. De repente, a culpa nem é do Outono...



Escrito por Alessandro DelArco às 15h23
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  Um novo Ano

Feliz ano novo para todos!!!!



Escrito por Alessandro DelArco às 03h43
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  Amores de Capitu...

Datas redondas, em geral, causam fascínio nas pessoas. 500 anos de Brasil, ano 2000, e por aí vai. E, agora, da morte de Machado de Assis.

Ele é, sem sombra de dúvida, o maior escritor que o Brasil já teve. E nunca se falou tanto no autor, que não é frequentemente tratado "em público", sendo relegado, geralmente, aos pobres estudantes do ensino médio (oh, pobres estudantes!) e seus pobres professores de literatura.

 Foi justo nessa época que li Machado de Assis: O Alienista, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba. Foi um sofrimento só, devo confessar. Por sorte, o Alienista, que é um livro pequeno e extremamente satírico, de leitura fácil. Aí pude partir para "Memórias..." que li para as famigeradas provas de literatura do colégio. Foi em vão, pois não consegui terminá-lo.

Por fim, li Dom Casmurro. E conheci Capitu. Ó doce Capitu.
Capitu foi uma das personagens por quem me apaixonei durante minha adolescência. A outra foi Heloísa, vivida por Cláudia Abreu na minissérie "Anos Rebeldes", de 1992. Mas Capitu veio primeiro, me enchendo de paixão com aquele jeito misterioso, sensual e, porque não dizer, malicioso e cruel. Passei anos tentando decifrar o que poderia significar "olhos de ressaca" e também "obliqua e dissimulada" como uma cigana. Amava tanto Capitu que passei a detestar Bentinho e seu ciúme doentio. E não acreditava que ela pudesse tê-lo traído. Achava que era tudo coisa da cabeça daquele bestalhão fraco, ridículo e covarde. Capitu era linda, sensual, forte, contestadora, inteligente e seu principal defeito era justamente amar o tal babão conhecido como Bentinho.

Mas é lógico que não vou aqui fazer uma dissertação sobre a fidelidade da Capitu. Deixo isso aos acadêmicos e literatos. Prefiro simplesmente saborear o que tenho presenciados por esses dias. Por algum motivo que desconheço, a imprensa e outras mídias elegeram justamente Dom Casmurro como o romance perfeito para comemorar Machado de Assis. Por isso, Capitu e Bentinho têm sido muito lembrados em microsséries, reportagens e livros sobre os dois. Ainda que muitas críticas sobre a perda da profundidade da obra tenham sido feitas, acho genial ver tantas referências ao livro e seus personagens em horário nobre. Quero mais é ver todo mundo discutindo Capitu e Bentinho. Quero ver Machado de Assis nas "paradas de sucesso". Quero ver sua obra amada não só pelos eruditos, mas pela moçada que acessa orkut e usa o messenger. Antes isso do que as discussões insípidas das aulas de literatura do colégio. Antes eles se emocionando com "Amor de Capitu", o livro-resumo do Fernando Sabino, do que achando que Machado de Assis não presta. A profundidade, ao meu ver, vem depois. E, afinal, como transmitir toda a emoção dos escritos dele para as telas? Como transmitir toda a carga de negativismo de Bentinho para as telas? Quase impossível.

Ah, e se alguém quiser ver, há uma reportagem divertidíssima no link abaixo sobre a suposta traição de Capitu.Vale a pena dar uma espiada.
http://www.abril.com.br/noticia/diversao/no_307200.shtml



Escrito por Alessandro DelArco às 03h40
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  Sobre o Filme "Mamma Mia"

Assisti a um dos hits do momento. Um filme recheado de estrelas do cinema: Merryl Streep, Pierce Brosnan e Colin Firth, entre outros.
Confesso que fui ao filme enganado: Não sabia que era um musical. Soubesse, não teria nem entrado no cinema, pois notoriamente não gosto de musicais.
Mas entrei, assisti até o final, me afundei na cadeira nos vários momentos constrangedores que o filme proporciona, ri das várias cenas hilariantes que as duas backing vocals da Merryl Streep proporcionaram (Julie Waters - de Harry Potter - e Cristine Baranski - de A Gaiola das Loucas, versão americana). E, ao final, dei meu veredito: sobrevivi ao filme, mas não gostei.
o Enredo é fraco e as atuações semprem tendem para a comédia ou para o drama pastelão. A sensação que tive ao assistir o filme foi bem diferente da que tive assistindo a "Chicago". O Primeiro é um filme leve, quase uma comédia de praia, onde o roteirista fez uma força danada para encaixar as músicas do ABBA na trama. O segundo é uma superprodução onde as diversas músicas foram escritas especialmente para o filme. Não gostei de nenhum dos dois, mas por motivos diferentes.O que eu não esperava é que, por não ter gostado do filme, eu seria alvo de preconceito por parte das "gentes cultas" que me cercam. Fui a um coquetel outro dia onde fui escrachado por ter tido essa impressão negativa do filme. Fui taxado de ignorante pra baixo, ainda que de forma velada e, em vários casos, de forma até educada. Fui chamado de "novinho" (que nem sou mais, e faz tempo!!), de não ter participado da "Geração ABBA" e de não ser aberto a novidades culturais.
Taí, aceito MESMO ser criticado. Especialmente quando tenho uma opinião sobre alguém ou alguma coisa que não corresponde à realidade. Já tive meus péssimos momentos sim, atacando ou defendendo idéias que foram claramente confirmadas por fatos que se opunham diretamente ao que eu imaginava. Quando me atrevo a falar de política isso quase sempre acontece.
Mas não tolero ser criticado, ou rotulado, baseado em um filme de terceira categoria. Ainda mais sendo ele musical. Ninguém veio me perguntar se assisti "Casablanca", "A um Passo da Eternidade", "Os Sete Samurais" e gostei deles. Ou se gostei e entendi a visão angelical de "Asas do Desejo". Não. Ninguém me perguntou se eu ficava acordado aos domingos a noite para assistir ao Cineclube da Rede Globo, que passava filmes clássicos como "O Falcão Maltês" e "Sindicato de Ladrões". Apenas deduziram que, se eu não gosto de musicais, eu sou um orangotango, não sou descolado e não gosto nem de música nem de cinema. Que sou, em outras palavras, ignorante. Tudo isso baseados em um filme que, pasmem, não é nenhuma maravilha da sétima arte. É apenas um filme mediano, para não dizer medíocre (que significa a mesma coisa mas ganhou significado mais negativo...).
Tudo bem. Quem me criticou não é conhecida mesmo pela boa cultura, embora represente a cultura (Não, vocês não vão entender essa...). Mas ser rotulado é algo que incomoda. Mesmo que seja por ela.

Mas afinal, por que é que estou tocando neste assunto? Porque quero voltar àquela velha questão: Como é que se mede a cultura de uma pessoa? É possível fazer isso? Vi, uma vez, o escritor Ariano Suassuna dizer que ele considera cultura popular e cultura erudita tudo a mesma coisa. E que ele estudava a cultura popular simplesmente porque ninguém dava bola pra ela. Será que ele não tem razão? Será que a turma tem uns conceitos pré-concebidos do que seja cultura (preconceito?) e de quais pessoas são cultas mas não chegam necessariamente a refletir sobre isso? O que torna ela culta? Livros? Música? Teatro? Cinema? Nesse contexto, Paulo Coelho, Soweto, Trair e Coçar é Só Começar e O Exterminador do Futuro tornariam alguém mais culto? Ou são apenas entretenimento? E entretenimento pode ser considerado cultura? Um cara que leia Guimarães Rosa, ouça Jazz e MPB mas deteste filmes musicais é, necessariamente, inculto? Não é descolado? Não é aberto a novidades? Em qual normalização cultural está escrito que o cara precisa ler Guimarães Rosa e ouvir jazz pra ser considerado culto?

Só pra finalizar, que esse assunto já se estendeu demais: Nunca, em toda minha vida, li um livro pensando "ah, vou ler esse porque aí ficarei mais culto!". Na verdade, acho esse tipo de pensamento meio imbecilizado. Leio porque gosto de ler. Vou ao cinema porque adoro aquela sensação de ser envolvido no filme. Ouço música quando, de alguma forma, ela consegue me impressionar. Não acho que um tipo de música, um tipo de filme ou um tipo de livro em especial possa me tornar mais ou menos culto. Cada um deles pode me divertir (ou não) de várias maneiras.

Alguns não conseguem me divertir nem que tentem muito. Alguns filmes, nem com a proibição da pipoca no cinema (eu odeio o croc-croc enquanto estou assistindo ao filme). Mamma Mia bem que tentou. Em certos momentos, sobretudo naqueles onde não havia o raio da música mal colocada pra torrar minha paciência, conseguiu. Isso não me tornou um cara melhor. Nem mais rico, nem mais pobre. Mas o conjunto dos filmes que tenho assistido desde a minha infância me dão cacife para dizer o seguinte: O filme, como musical, é mediano. Se não fosse musical, seria medíocre. Se não tivesse sido feito, o cinema não teria se abalado de forma alguma.

Mas tentem fazer essa experiência com Cidadão Kane ou O Poderoso Chefão...



Preciso me lembrar disso da próxima vez que for criticar alguém...



Escrito por Alessandro DelArco às 13h20
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  Mais desdobramentos sobre o caso Santo André

Segundo a notícia veiculada pela Folha on line, que segue no link abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u461212.shtml

O "tiro de neutralização" em Lindemberg não tinha sido autorizado pelo Gabinete de Crise. Para quem tem menos familiaridade que eu com essa terminologia, aí vai uma breve explicação do que garimpei com amigos policiais: toda vez que há uma "crise", que deve-se entender como uma situação em que haja crimonosos armados contra reféns, cria-se um gabinete de crise, composto essencialmente do governador do Estado e de oficiais das forças armadas. No caso, da PM de São Paulo. O governador é o chefe supremo da PM. Segundo as leis brasileiras, um atirador de elite só pode atuar se receber uma ordem vinda do gabinete de crise. Em última instância, a ordem parte do governador.
Fica, portanto, a dúvida: terá sido Eloá vitimada pela campanha eleitoral de São Paulo, que tinha como candidato a prefeito um político apadrinhado pelo Governador do Estado? Um tiro certeiro salvando a vida de duas garotas teria tido mais impacto do que a ação frustrada do GATE na invasão? Impacto negativo, eu pergunto. Não sei. Mas espero que a vida de Eloá não tenha dependido deste tipo de argumentação.
A verdade, ora a verdade...

Escrito por Alessandro DelArco às 11h41
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  Sobre o tema anterior

Esta semana, em viagem pela empresa em que trabalho, tive a oportunidade de dar carona a um policial militar.

Conversamos um pouco de tudo, mas evidentemente caímos no assunto GATE-Eloá. E, assim, tive a oportunidade de ouvir quem trabalha do lado de lá do gatilho.

E ele me disse uma coisa assutadora. Embora toda a opinião pública estivesse dizendo que o certo era que o bandido assassino tivesse sido abatido por um atirador de elite bem posicionado, o comandante tinha outras coisas em mente. Ele tinha em mente o fato de que o sequestrador era jovem, sem passagens pela polícia e, segundo o advogado do covarde sequestrador (como esses caras aparecem rápido pra tomar conta de bandido, não?), estava sob forte emoção. Se o rapaz fosse abatido e as duas garotas fossem salvas, era provável que o comandante saísse dali algemado. Cadeia para o facínora policial que usou de excesso de força para finalizar a crise.

Parece piada, não é mesmo? Mas não é. É fato. Despreparo a parte, erros a parte, o comandante estava, como diria, de mãos atadas, por causa da legislação brasileira. Chega a ser cômico. Certeza que isso passou pela cabeça de todos os policiais presentes. E faz com que a gente entenda um monte de coisas.

E fica aquela impressão: a vida de alguém jovem e bonitinho, ainda que fortemente armado e disposto a matar (como provou com os tiros que disparou), vale mais do que a vida de duas meninas inocentes. Ao menos segundo a legislação brasileira.



Escrito por Alessandro DelArco às 21h05
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  Isso só pode ser um pesadelo

Lamentável. Rídiculo. Assustador. Inquietante.

O desfecho do sequestro de Santo André teve um desfecho trágico. Trágico? Não. Tenho certeza que as famílias das duas meninas que ficaram em poder do bandido devem achar que o desfecho foi aterrorizante.

A comédia trágica de erros que foi esta operação policial mostra, de forma contundente, o despreparo da polícia - não só a paulista - para atuar em casos difíceis como este. Um garoto, tomado de forte emoção, segundo diziam os policiais, toma duas meninas de 15 anos como reféns e faz de palhaços toda uma corporação. Transforma em pó toda uma imagem positiva que a PM de São Paulo demorou anos para construir. Uma imagem de polícia preparada, voltada ao bem-estar do cidadão e pouco sujeita à corrupção. Tudo cai por terra. Tudo é possível em uma corporação que comete erros após erros em uma situação envolvendo um sequestrador amador e - não posso deixar de imaginar que seja assim - não muito inteligente.

Este despreparo pode ter custado a vida de uma das garotas. Segundo as notícias, a ex-namorada do criminoso teve ferimentos graves, com perda de massa encefálica, inclusive. E sua amiga também foi ferida, muito embora as notícias sobre ela ainda sejam escassas. Jamais a vida da ex-namorada será a mesma. Nem de sua amiga, que foi tirada de casa, onde estava sã e salva, para retornar ao circo armado pelo bandido.

E agora? A tristeza que eu sinto pelo desfecho dessa situação só é superada pela seguinte preocupação: e se fosse alguém da minha família? Seria a polícia ineficiente da mesma forma? É aterrorizante pensar em uma coisa dessas. Quando pensamos em policiais, gostamos de pensar em homens e mulheres que têm mais sangue frio que nós para resolver situações críticas envolvendo violência. Não o fosse, colocassem um rifle com mira telescópia na mão do pai da ex-namorada e ele teria pensado rapidamente em um jeito de salvar sua filha.

Mas não é o caso. Recolhidos os pedaços de todas as vidas que foram afetadas pelo episódio, é hora de pensar em não deixar que algo como isso se repita. Reorganizar a polícia, treinar negociadores.

E nunca, jamais, permitir que a vida de alguém armado valha mais do que as vidas de duas inocentes.



Escrito por Alessandro DelArco às 21h23
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  Nem Vendo eu acredito.

Segue, no final do texto, o link para o texto de onde tirei toda a minha revolta.

Já escrevi aqui, dias atrás (a julgar pelo tempo que não atualizo o blog, faz muuuuito tempo), sobre os tempos perigosos que vivemos por causa do "politicamente correto". Mas quando o "P.C." encontra com a ignorância generalizada, o negócio se torna bizarro. E ainda mais perigoso.

Para quem não quiser ler o artigo, aí vai o resumo da ópera: um grupo de ativistas "visually challenged" americanos (é, não são mais cegos, mas "visualmente desafiados" - coisas de P.C.) está protestando contra o teor preconceituoso e estereotipado que o filme faz dos cegos, onde, segundo eles, são retratados como monstros e desorientados.

Como diz um amigo que é surdo (ele é surdo mesmo, não "auditivamente desafiado"): antes ser surdo a ouvir esse tipo de bobeira. Mas não deixa de impressionar. Volta e meia aparece um filme que desperta um sentimento irracional na população, geralmente relacionados com filmes com teor religioso. Foi assim com a Última Tentação de Cristo, com A Paixão de Cristo, etc. Eu até sou capaz de entender o sentimento de revolta de uma pessoa religiosa que vê sua religião ser atacada. Ou pensa que ela está sendo atacada. Não que eu concorde com isso. Artistas tem o direito de "obrar" o que quiserem. Se a obra do cidadão me for inconveniente, ele terá o prazer da minha abstenção na audiência. E alguns comentários maldosos, como os que fiz aos Filhos de Francisco, já que sou, na visão do Zezé, parte da elite preconceituosa que não gosta de música sertaneja. Mas isso é outra história. O certo é que a produção artística só pode ser talhada pela moral do próprio autor. Desde que ele não infrinja nenhuma lei, é seu direito. Eu gostando ou não.

A escolha do ver ou não um filme por motivos ideológicos é um exercício pessoal. Eu, particularmente, o exerço com a consciência totalmente limpa. E não encaro isso como preconceito. Se o artista escolheu retratar um tema, por que não posso ter eu o direito de me recusar a vê-la?

O caso é que isso é bem diferente do que está acontecendo com o filme Ensaio Sobre a cegueira. Primeiro porque os que protestam parecem não saber que o filme é uma adaptação de um livro. Um ótimo livro, por sinal. Confesso que, da primeira vez em que ouvi falar dele, achei que se tratava de um tratado médico. "Ensaio" não é um texto acadêmico sobre determinado assunto? É um Saramago de primeira grandeza. E, se me lembro, trata da cegueira sim, tornando as pessoas biologicamente cegas ao longo do texto, mas tudo indica que a verdadeira cegueira a que ele se refere não é a biológica, mas a intelectual. E nem posso dizer religiosa, porque Saramago é ateu, se não me engano. É um verdadeiro "tratado" sobre como as pessoas se sentem perdidas quando as coisas em que elas acreditam desaparecem. E como "pessoas", quando ajuntadas como "multidão", se comportam como seres irracionais. Tão pertinente que até filmes menores, como MIB, se utilizam de situações do livro.

A situação fica crítica, portanto, quando pessoas portadoras de deficiência se revoltam contra um filme que é adaptado de uma história que, no fundo, abre uma discussão muito além do "enxergar" biológico. Eles pensam estar defendendo a causa dos seus semelhantes. Mas, longe disso, acabam dando razão a Saramago.

http://www.omelete.com.br/cine/100015488/Ativistas_cegos_protestam_contra_Ensaio_Sobre_a_Cegueira.aspx

Outras Palavras

Acabei de ler o texto do Guilherme Fiuza, cujo link segue abaixo. Não é sobre cinema, mas também aborda o tema do politicamente correto. Vale a pena espiar
http://guilhermefiuza.com.br/colunaepoca/2008/10/01/a-praga-da-igualdade/



Escrito por Alessandro DelArco às 15h47
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  Saudades de Tom e Vinícius...

No milênio passado, nos tempos da minha longínqua infância, era possível ligar a TV de sábado a noite e dar de cara com um especial de Vinícius de Moraes na TV. Ao vivo. Tom Jobim não me lembro tanto, ao menos no começo dos anos 80. Lembro do Vinícius. Dele cantando com aquela voz feia algumas das mais belas canções de amor que alguém já foi capaz de produzir. Ele, o copo longo de whisky e um cigarro. Naquela época não era pecado se apresentar na TV fumando e bebendo (Mas ainda bem que agora é...).

E assim acabei lembrando também que, quando eu estava na escola, Carlos Drummond de Andrade ainda compunha poemas. E dava palestras. E era tímido e desengonçado. E eu vi tudo isso, mesmo que pela TV. Vi também o Tom Jobim dando tapa em microfone de repórter impertinente da Globo. Ah, como ele odiava repórter. Era mal educado mesmo. Faria uma festa com os paparazzi.

Tinha também o Quarteto Fantástico dos livros da coleção "Para Gostar de Ler": Fernando Sabino, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade (desse eu já falei). Todos vivos. Eles ainda escreviam nessa época também. Aprendi a gostar mais de Fernando Sabino. Tudo porque o livro "O Homem Nu" caiu nas minhas mãos mais cedo que livros dos outros. Devo muito do meu vício pela leitura a Sabino. No colegial ainda tive o prazer de vê-lo ao vivo, em uma palestra na escola. Absolutamente inesquecível. Poderia ouvir aquele cara contar histórias por duzentos anos e não me cansaria.

Mas antes tinha o Vinícius, cantando o Vento junto com a neta dele, na Arca de Noé. A capa do disco tinha que ser montada pelo freguês, recortando e colando as figuras dos animais na arca. Foi uma verdadeira festa a composição daquela capa. A Casa. A Porta. O Pato...

E porque me lembrei disso tudo? Estava tocando Ligia agora a pouco. Na voz do Tom. E sei lá porque lembrei do Vinícius. Naquela época, nem sabia o que era Bossa Nova. E olha que ela nem era tão nova assim! Mas adorava aquelas notas brincando na música, indo e voltando. Também nem sabia porque que isso era tão bom. Mas era.

E pensar que, quando sentei aqui, queria mesmo era pensar se é possível se dizer fã de alguém sem nem ao menos saber seu nome completo. Quantas vezes foi casado e com quem. Porque eu não faço a menor idéia de quem sejam os homens por tras dos músicos e escritores que mencionei. Nem conheço toda a obra deles. Mas por causa do pouco que conheço, do pouco que ouvi e li, consigo ver o mundo com muito mais interesse. Mesmo que o Rio de Janeiro do Tom não seja mais lá tão bonito quanto ele achava. Mesmo que a casa não seja mais tão engraçada assim. Mesmo que, agora, Paulo Coelho ache que é o mais importante intelectual do Brasil.



Escrito por Alessandro DelArco às 20h30
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  Antes tarde do que mais tarde

Meus queridos leitores, voltei!!!!

Vamos ver se eu consigo manter a antiga frequencia de postagens, mas o negócio está difícil.
Faz dias já que estava afins de falar sobre um monte de coisas, como Natal (a cidade, não a festa), férias e outras coisas, mas não tenho conseguido parar para organizar as idéias.
Se tudo correr bem, até o final da tarde volto pra escrever alguma coisa.

ou não

Escrito por Alessandro DelArco às 14h05
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