Agora Falando Sério
  De volta à Academia

Ontem, após quase 20 anos, voltei a fazer academia. Sabe o que é isso? Academia é um lugar, geralmente suspeito, cheio de espelhos e janelas, muitas delas voltadas para os pedestres assombrados lá fora, onde um bando de gente se arrebenta em suor, corridas sem sair do lugar e levantamento de pessoa, para poder "arrasar" lá fora.
E antes que os incautos comecem a fazer conjecturas sobre meu sedentarismo prático, digo logo: estava longe das academias, mas nunca sedentário. Neste longo período, pratiquei basquete, natação e Aikido. E estaria praticando este último se não tivesse sido vítima de uma cilada em um treino. Não, não foi nenhum outro aikidoísta que me passou uma rasteira enquanto treinava (e se tivesse, acreditem, faria parte do jogo). A cilada foi achar que, mesmo depois dos 30, eu continuaria a ter a mesma capacidade de reconstrução que tinha 10 anos antes. Complexo de Wolverine e seu fator de cura, eu acho. Estourei um ligamento precioso que existia entre meu ombro e minha clavícula. Após um ano e meio, duas cirurgias, três passeios a centro cirúrgicos, muita dor e após ter os buracos do meu ombro preenchidos por metais nobres e fios cirúrgicos para alta carga, tive alta no final do ano passado.
Enxertos, parafusos e fios todos no lugar, agora preciso fazer os músculos do meu ombro e braço acordarem. Detalhe sórdido. Arrebentei o ombro esquerdo e sou canhoto. Escrever, que já não era uma experiência divertida antes, passou a ser dolorosa depois. Carregar sacolas de compras não é tão doloroso quanto um texto de 250 palavras.
Comecei com a natação. Estava liberado para isso desde fevereiro do ano passado. Aguentei 9 meses, até a piscina da academia onde treinava se tornar "inabitável". Parei de novo e fiquei no aguardo. Mesmo com a natação, meu braço não parou de doer. Hora de entrar no peso...
E lá fui eu. Sentindo-me um verdadeiro peixe fora d'água. E espero mesmo que seja verdade o que dizem sobre espelhos, que eles, quando muito grandes, distorcem as imagens, tornando-as mais atarracadas e mais gordas.
Quando eu respondi que fazia vinte anos que não fazia aquilo, o instrutor nem se abalou. Acho que este meu corpo em forma de barril atual não deixa dúvidas. E eu, como um pateta, tentei argumentar que fazia outras coisas mas...
Começo com trinta minutos de esteira. Trinta minutos andando sem sair do lugar. Primeiro foi a luta para me manter equilibrado sobre aquela coisa. Depois, outra luta para acertar a velocidade certa. E aí, mais 25 minutos olhando para a parede, ouvindo música de altíssima qualidade e... andando sem sair do lugar.
Por fim fui até os aparelhos. Não tenho nada contra esse tipo de coisa, mas nunca tive uma convivência muito pacífica com aparelhos de ginástica. Quando fiz academia, 20 anos atrás (acho que eu já disse isso...), foi por ordens médicas. Eu estava crescendo muito e ficando encurvado e a academia ajuda a arrumar essa bagunça.
Quando acordei hoje, foi como se um bonde estivesse estacionado sobre meus ombros. Escovar os dentes até que foi fácil, o difícil foi colocar a camisa e amarrar os sapatos. Troquei por sapatos sem cadarço que eu não sou besta.
E hoje, com toda certeza (até porque o mês já está pago), volto lá. Amanhã, novos lugares devem doer pra burro. E assim vai. Até quando?
Qual o sentido, vocês devem estar se perguntando, de escrever essa porcaria de texto sobre isso? Eu sei lá. Achei que devia registrar esse momento insólito. Não é todo dia que você retorna a algo que havia abandonado tanto tempo atrás jurando nunca mais passar por aquilo. Faz a gente pensar que "nunca" é uma palavra grande demais. Quase tão grande quanto meus pneuzinhos...

Escrito por Alessandro DelArco às 13h53
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  Docentes Indecentes

 (Não ficou tão bom quanto o original, mas dá pro gasto...)


Docentes não preparam aula e "falam o que dá na telha", diz aluna

DA SUCURSAL DO RIO
DA REPORTAGEM LOCAL

Alunos de universidades que não atenderam à meta de professores em dedicação integral apontam algumas dificuldades nas condições de ensino.
Estudante do segundo ano de publicidade da Unisa, Ana Carolina Teles, 20, afirma que somente um de seus professores trabalha exclusivamente lá. "É a única que traz apostilas, apresenta um cronograma. A maioria vem e fala o que dá na telha. Não há uma programação."
Segundo ela, alguns dos docentes dizem que possuem outras atividades e não têm tempo para preparar as aulas.
Já Yuri Alexandre Figueiró, 24, aluno de direito da Uniban, afirma que seus docentes não conseguem atender aos estudantes fora do horário de aula.
Também diz que não é comum os docentes pedirem atividades extraclasse. "Eles vão à faculdade no horário das aulas. São advogados, juízes ou trabalham em órgão público." Apesar de receber pouco atendimento fora do horário, Yuri diz que as aulas são "muito boas".

Docentes
Professores de universidades que não têm contrato de dedicação integral trabalham, em geral, de forma "precária", diz Nelson Bertarello, 51 -ele ganha apenas por aula dada em três escolas do ABC paulista.
"Tem dia em que saio às 20h45 de uma instituição e tenho de estar às 21h10 na outra. Se atendo a um aluno, me atraso. É a realidade da profissão", diz ele, que é diretor do Sinpro-ABC (sindicato dos docentes da rede particular do ABC).
Ele afirma não ser remunerado para preparar aula, atender aluno em dependência ou com trabalho de conclusão de curso. "A gente se esforça, mas sempre falta alguma coisa. A situação é precária", diz.
"Sem o percentual exigido, a universidade não consegue dar conta das suas atividades, principalmente a pesquisa", diz o diretor do Sinpro-SP (sindicato dos professores da rede particular de São Paulo), José Faro.
"O professor horista não consegue atender ao aluno mais de perto. Estou surpreso com o número de escolas que não cumpre a lei. O MEC já deveria estar fiscalizando", diz.
(AG e FT)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1205200803.htm

 


Minhas Palavras 

Chega a dar arrepios. Sempre tenho arrepios quando tenho náuseas. As declarações dos professores no texto acima são assustadoras. Para dizer o mínimo.

É impressionante a informação de que os professores, em geral, têm outras atividades e não têm tempo de preparar as aulas. Pior, vão sem uma programação à aula e falam o que dá na telha.

Pior é a convicção do Sr. Nelson Bertarello, que além de dar aulas, também é diretor do sindicato de professores de escolas particulares do ABC. Ele afirma, com todas as letras não “ser remunerado para preparar aula, atender aluno em dependência ou com trabalho de conclusão de curso”. E julga, apesar disso, ser muito esforçado em sua profissão.

Vou dizer uma coisa que talvez seja uma grande surpresa para os professores que comungam dessa idéia: uma aula começa com sua preparação. Não existe a menor possibilidade de um professor ser contratado para dar aulas, mas não para prepará-las. Um processo não existe sem o outro. Afinal, sala de aula não é lugar para emitir opinião, para falar “o que der na telha”. É lugar para que o senso crítico e o conhecimento comum sejam fomentados. O professor até pode emitir opinião, mas dele deve deixar bem claro que se trata disso. De resto, sempre há um programa a ser seguido, um assunto que deve ter seus principais pontos preparados anteriormente.

O fato dos professores evitarem trabalhos extra-classe é sintomático: eles não querem ter, também eles, mais trabalho extra-classe. Assim, todos saem ganhando – exceto o conhecimento e o bom preparo dos alunos.

Até entendo que um professor não deva ser obrigado a orientar alunos em seus trabalhos de graduação ou auxiliar alunos em dependência. Realmente uma faculdade pode ter um grupo de professores ou instrutores para estas atividades. Sem contar que nem todos os professores são habilitados a analisar monografias e opinar sobre elas. Mas é imprescindível que eles possam ao menos tirar as dúvidas dos alunos nos pequenos intervalos entre aulas.

Não sou professor, mas tenho pai professor e sou casado com uma professora. Muito embora tome tempo, ambos sabem muito bem a importância que tem o planejamento da aula. O estudo constante da matéria a ser dada. O domínio da disciplina e a importância do material extra-classe. Não creio que haja professor profissional que possa imaginar conseguir disseminar conhecimento sem esses requisitos acima.

A profissão de educar não é fácil. É nobre, mas nem sempre reconhecida de forma digna. Isso não quer dizer que o professor tenha que ser conivente com isso. Muito menos os alunos. Esse tipo de coisa me dá medo. O que nos aguarda no futuro?



Escrito por Alessandro DelArco às 18h25
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  Maldito Internet Explorer

Acabo de perder um texto inteiro sobre os professores de universidades e faculdades particulares.

Tamanha é minha indignação com a notícia que vou tentar reescrever.

Mas que é um saco, isso é!!!



Escrito por Alessandro DelArco às 13h26
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  O Recalcitrante

Quem é da minha geração deve se lembrar do conto de Carlos Drummond de Andrade chamado "Recalcitrante" que era parte de um dos livros da coleção "Para Gostar de ler".

Lendo hoje a coluna do Clóvis Rossi sobre a crise da Secessão na Bolívia ele me veio com essa palavra. E eu, novamente, tive que procurar seu signficado no dicionário. Como eu li este conto com mais ou menos 10 anos de idade, isso significa que esta palavra me persegue há mais de duas décadas. E até agora me vencendo, pois jamais consigo guardar seu significado. Sei que, de certa forma, estou bem acompanhado nesse problema, pois, se não me engano, o próprio Drummond saiu do ônibus sem saber o que a palavra significava. E ela o incomodou a ponto de ganhar um conto sobre si.

Infelizmente, não é só a famigerada recalcitrante que duela comigo dessa forma. Há palavras que leio repetidas vezes nos livros e jornais afora mas que sempre contém significados obscuros para mim. "Apupos" é uma delas. A conheci em um livro do João Ubaldo Ribeiro (do qual nem mesmo me lembro o nome...) e passei anos imaginando que ela significava "aplausos apaixonados". Muito depois descobri que significava justamente o contrário. Conversando com um amigo que também é um apreciador da Bela e Desprezada, ele teve a mesma impressão que eu. Ficou tão chocado quanto. Acho até que lemos o mesmo livro. Ah, e ovação, que significa o que achava

Outra palavra que me persegue é "notório". Não sei porque cargas d'água, a associo a "famigerado". Pois, se famigerado significa "Aquele que tem fama por causas obscuras", então notório deve ser "conhecido por causas obscuras". Associação esdrúxula, eu sei, que surgiu em algum momento e se agarrou ao meu parco vocabulário como um bicho de pé. E recusa-se a sair. Todas as vezes em que preciso usar essas palavras (esdrúxulo inclusive) eu preciso recorrer ao dicionário.

Minto. Ao menos para famigerado, assim como para recalcitrante, conheço a origem da confusão. No conto Famigerado, de Primeiras Estórias, o autor usa essa palavra com apenas metade do significado por medo de perder a vida. Li esse conto com 16 e demorei para entender a sutileza da passagem. Entendi, com a ajuda do dicionário, mas a confusão com "notório" permaneceu.

Em tempo: recalcitrante quer dizer "teimoso, desobediente". Com a certeza de quem tem um dicionário on line.



Escrito por Alessandro DelArco às 11h03
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  Chame Ladrão?

Na Folha de hoje:

09/04/2008

Chama a polícia! E chora

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Agora, virou moda em Brasília. Toda vez que há um impasse, chame-se a polícia!

Em vez de investigar, identificar e prender ladrões, corruptos e traficantes de armas, de drogas e de influência --que, aliás, ela tem feito muito bem--, a Polícia Federal começa uma outra etapa. Passa a investigar estudantes pela invasão da UnB e se dedica a descobrir quem é o tal "clandestino" (nas palavras do presidente Lula) que vazou o dossiê da Casa Civil contra FHC e sua mulher, Ruth.

O, digamos, interessante das duas histórias é o alvo. Na UnB, quer-se punir os estudantes, quando o importante é descobrir quem desviava dinheiro de pesquisa para comprar lixeiras, plantas e abridores milionários para o imóvel funcional do reitor. E, na Casa Civil, procura-se quem vazou, quando o fundamental seria descobrir quem, como, quando e por que foi buscar um arquivo morto e sigiloso em outro prédio para chantagear adversário político.

Afinal, quem é o culpado aqui nessas duas situações?

O reitor, que aceitou os mimos e o luxo sem a menor cerimônia e deveria ter se afastado já no primeiro minuto? Ou os estudantes que protestam porque querem pesquisa e decência?

A chefia da Casa Civil, que determinou ou, no mínimo, autorizou o uso da máquina do Estado para fazer dossiê político? Ou quem não gostou desse modus operandi ditatorial e botou a boca no trombone e entregou os arquivos à imprensa?

Bons tempos aqueles em que os petistas eram os estudantes e líderes das passeatas indignadas contra a ditadura e pela ética na política. Não os que jogam a PF contra os estudantes.

Bons tempos aqueles em que os petistas eram os que reagiam ao modus operandi ditatorial e denunciavam os corruptos ou antiéticos em geral e eram os maiores vazadores de documentos nas repartições públicas, nos bancos oficiais, nas CPIs. A PF, ao que consta, nunca foi procurar aqueles vazadores...

Hoje, em guerra com a imprensa que divulga informações que lhes incomodam. Ontem, aliados da imprensa, do Ministério Público e da própria Polícia Federal contra tudo e todos, com culpa comprovada ou não: Collor, Ibsen Pinheiro, Alceni Guerra, Eduardo Jorge Caldas. A lista é imensa...

Enfim, a promessa de campanha foi cumprida: tudo mudou. Porque o governo Lula fez o PT mudar de lado. Os inimigos viraram amigos. Os amigos viraram inimigos. Quem protestava defende a polícia contra quem protesta. Quem vazava joga a PF em quem agora vaza.

Deve doer na alma ter de defender tudo isso. Daí tanta raiva e tanto xingamento via internet.

Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u390254.shtml

Minhas Palavras

Como sempre, Eliane Cantanhede está atenta à situação rocambolesca que estamos assistindo. E faz uma análise precisa sobre os fatos. Um brinde à nossa inteligência. Como sempre.



Escrito por Alessandro DelArco às 15h11
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  Sobre um reitor nada magnífico...

ELIO GASPARI

De DarcyRibeiro@org para Mulholland@com


Professor, saia da reitoria  da UnB, a inhaca do bidê do Eremildo grudou nas suas costas

PREZADO REITOR Timothy Mulholland,
Essa universidade aí de Brasília quem fez fui eu, Darcy Ribeiro. É minha filha. Saia de sua reitoria. Vá-se embora. Quando correu por aqui a história da sua lixeira de R$ 990 eu achei que era mais uma cavilação da direita. Talvez você não lembre, pois em 1964 tinha apenas 14 anos, mas essa ferrugem moralista acusou o Anísio Teixeira de ter praticado irregularidades aí na reitoria. E eu? Teria fugido para o Uruguai numa avioneta, com US$ 10 milhões.
Gastaram R$ 350 mil na decoração do seu apartamento funcional e depois veio o saca-rolhas de R$ 859. Eu já tinha ouvido coisa assim. O Gilberto Freyre disse que o presidente de Stanford usou dinheiro público (US$ 180 mil) na manutenção do seu iate e perdeu o emprego.
Matutei um dia inteiro, querendo lembrar o antecedente brasileiro. Vi o Samuel Wainer com o Porfirio Rubirosa e caiu a ficha. Iluminou-se o bidê que o professor Eremildo Viana mandou instalar em seu gabinete da rádio Ministério da Educação. O Stanislaw Ponte Preta transformou a vida daquele dedo-duro num inferno.
Como você deve saber, adoro falar bem de Darcy Ribeiro. Veja o que escrevi nos anos 50 a respeito de uma "característica distintiva" da universidade brasileira: "seu pendor ao esbanjamento de recursos públicos escassos tanto negativamente, pela subutilização das disponibilidades materiais e humanas, como positivamente, pelo faraonismo das edificações".
Professor, a inhaca do bidê do Eremildo grudou nas suas costas. Esperei dois meses para lhe mandar esta mensagem. Resolvi expedi-la quando a garotada invadiu sua reitoria. Em 1963, eu estava na chefia da Casa Civil e a estudantada saiu por Brasília ocupando prédios. Mandei que lhes dessem uma coça e aquietaram-se. Mesmo assim, confesso que tenho um fraco por reitorias invadidas.
A garotada quer que você vá embora. Vá. Você deveria ter se licenciado logo depois das denúncias, à espera das conclusões dos inquéritos. Sei lá por que, preferiu ficar no cargo e abandonar o apartamento, num gesto de exclusiva soberba, pois o dinheiro público já havia sido queimado com besteiras. Se quiser, finja licenciar-se, mas renuncie daqui a um mês.
Eu estive na sua sala. As coisas estão em ordem. Dancei forró segurando as cadeiras de uma menina que estuda biologia. Ela tinha um "Fora" escrito na testa e as bochechas pintadas como os índios com quem passei tantos e tão gratos tempos.
Qual a graça de ter 20 anos, querer um país sem roubalheiras, ou uma terra sem males, e deixar passar o enterro de um reitor que gasta R$ 350 mil montando uma casa onde a lixeira sai por R$ 990? Lembra-se da garotada de 1967, aquela que enxotou o embaixador americano John Tuthill? Pois lá estava um garoto, apanhando. Era o Collor. (Apanhou pouco, porque não aprendeu nada.) Percorra os salões de Brasília. Cada geração de poderosos guarda consigo as doces lembranças das manifestações de 1968 e de 1977. Chamavam-nas de badernas. Que assim seja. Bem-aventurado seja aquele que carrega com orgulho as lembranças de badernas passadas. A garotada de hoje, como a de sempre, tem razão: "polícia para quem precisa".
Sem mais,
Darcy Ribeiro

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0904200815.htm

Minhas Palavras

Hoje pela manhã li uma reportagem sobre esse senhor Mãoleveland aí de cima. Ele ainda está se fazendo de coitado, vítima e, para variar, diz que está sendo acuado sem direito de defesa pela imprensa e, agora, pelos estudantes. Diz que ele é a vítima e não os programas de pesquisa que ele eventualmente deixou sem dinheiro para que a sua singela moradia funcional fosse reformada. Nossa, e pensar que o pessoal do campus da Unesp de Araçatuba não gosta da Moradia lá porque não tem estacionamento! Talvez o magnífico reitor tenha estudado lá e passado todo o stress de morar em uma casa sem garagem. E disse para si mesmo: "basta! Jamais morarei em um lugar tão simples assim novamente". E deu no que deu.

A verdade é que sua atitude, infelizmente, é muito comum no Brasil. A corja faminta por poder e dinheiro público se recusa terminantemente a deixar seus cargos, mesmo quando estão atolados na lama. Ia dizer outra coisa, mas ainda quero manter alguma dignidade neste espaço. E ele posa de inocente até que se prove o contrário. Fosse esse um país sério e o magnífico reitor teria se licenciado do cargo para evitar que o escândalo se alastrasse. E quais foram suas últimas atitudes? Cortou a água e a luz do prédio da reitoria, invadido pelos estudantes da UnB que estão mais indignados do que eu, com toda a razão.

Lastimável!!!!



Escrito por Alessandro DelArco às 16h40
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  Para mostrar para a minha sogra

GILBERTO DIMENSTEIN

Mãe completa

Maria Neuza, mãe de ex-alunas de escola pública de São Paulo, ajudou a melhorar as condições do colégio

EX-TELEFONISTA, Maria Neuza da Costa Guidoni, agora aposentada, carrega uma frustração: por falta de dinheiro, não conseguiu entrar numa faculdade. Seu projeto era se tornar advogada. Até chegou a fazer um cursinho pré-vestibular, mas percebeu que não poderia parar de trabalhar. "O que mais me incomoda é que não desenvolvi o dom da expressão. Eu me sinto incompleta." Talvez por causa de sua baixa auto-estima escolar, Maria Neuza não se sinta uma das responsáveis por um caso raro de êxito educacional na cidade de São Paulo.
Quando fui procurá-la para a entrevista, Maria Neuza estranhou e suspeitou que se tratasse de um equívoco. "Você tem certeza de que está falando com a pessoa certa?" O nome da diretora da escola é parecido: Maria Cleusa. "Sou uma pessoa sem nenhuma cultura", disse, sem entender o interesse jornalístico.

Ela é um dos personagens anônimos que estão por trás do fato de o colégio Rui Bloem ter conseguido manter pelo segundo ano consecutivo a posição de melhor escola pública estadual da capital paulista, segundo o ranking do Enem, divulgado na semana passada. Sua nota a coloca à frente de muitas escolas particulares. "É um motivo de orgulho", comenta Maria Neuza, que não é professora nem funcionária da escola.
Nem ao menos é mãe de aluno. É apenas mãe de ex-alunas. O fato de suas filhas terem terminado os estudos no colégio não a fez sair da associação de pais e mestres, da qual é diretora-executiva.

 

Por causa da capacidade dos pais de levantar recursos, a Rui Bloem tem um aspecto de escola privada, com as paredes limpas e pintadas, os jardins bem cuidados. O ambiente de trabalho organizado é um dos ingredientes para estimular alunos e professores. "Quem não sente prazer em ver um jardim bonito?", pergunta. A direção e os professores são os primeiros a reconhecer o impacto positivo da paisagem.
O importante, porém, é que, por trás da ordem física, existem pais atentos à educação dos filhos, cobrando melhor qualidade de ensino. Sem isso, seria muito mais difícil para a direção combater, por exemplo, os professores faltosos. Também seria mais difícil conseguir parcerias com a comunidade, como um centro de línguas (os alunos podem estudar até japonês) ou programas de eletrônica e eletricidade de uma faculdade de engenharia. De acordo com estatísticas educacionais em várias partes do mundo, essa participação faz uma expressiva diferença nas notas.

 

Maria Neuza se sentiu agradecida pelo tratamento que suas duas filhas tiveram naquela escola. Por isso, decidiu continuar como voluntária -mesmo na condição de mãe de ex-alunas. A satisfação tem um motivo concreto: uma das suas filhas conseguiu entrar na faculdade. "É como se, de algum jeito, eu também tivesse entrado na faculdade."
Isso fez com que ela passasse a nutrir a esperança de voltar a estudar e, depois de tanto tempo, entrar numa faculdade. Isso que, para ela, seria uma realização e tanto na vida, por maior que seja, ficaria bem longe de, como uma espécie de educadora informal, ter ajudado a criar a escola bicampeã na lista das escolas estaduais da cidade.



Escrito por Alessandro DelArco às 14h20
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  Mais sobre os nossos Heróis Caídos

Do Blog do Noblat:

 

Repúdio às imorais indenizações de Ziraldo e Jaguar

 

“Então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento."

(Millôr Fernandes)

 

Exmo. Sr.

Tarso Genro

Ministro da Justiça

Brasília – DF

 

Excelência,

Repudiamos a decisão imoral da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que - de forma afrontosa, absurda e injustificável - premiou os cartunistas Ziraldo Alves Pinto e Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o “Jaguar”, fundadores de “O Pasquim”, com acintosas e indecentes “indenizações”.

Sem desconhecer ou negar os méritos do extinto jornal e sua corajosa participação na luta contra o regime implantado pelo golpe de 1964, não se pode, de forma alguma, aceitar esse equívoco lamentável do Ministério da Justiça, que nos custará a bagatela de R$ 1.253.000,24 (hum milhão duzentos e cinqüenta e sete mil reais e vinte e quatro centavos) para Ziraldo, e outros R$ 1.027.383,29 (hum milhão vinte e sete mil trezentos e oitenta e três reais e vinte e nove centavos) para Jaguar, além de polpudas pensões mensais e vitalícias. Isso tudo à custa de nosso trabalho, raspado de nossos bolsos, em decisão que enxovalha o Estado de Direito e a seriedade no trato dos dinheiros públicos.

Há que se registrar a cupidez vergonhosa de dois jornalistas do nível de Ziraldo e Jaguar, que encerram suas vidas profissionais desenhando em tinta marrom a charge da desmoralização de suas lutas e da degradação moral de suas biografias. Transformaram em negócio o que pensávamos ter sido feito por dignidade pessoal e bravura cívica. Receberam, por décadas, o nosso aplauso sincero. Agora, por dinheiro, escarnecem de toda a cidadania, chocada e atônita com a revelação de suas verdadeiras personalidades e intenções.

Com a ditadura sofreram todos os brasileiros. Por isso não encaramos como negócio lucrativo, prebendário e vergonhoso o que se fez por idealismo, honradez e dever. A ditadura não só não provocou danos terríveis a Ziraldo e Jaguar, como agora os enriquece e os torna milionários à custa de um país de miseráveis e doentes.

Aplaudimos os demais jornalistas que fizeram o saudoso semanário pela decisão de não acompanharem Ziraldo e Jaguar nessa pilhagem, roubando dos brasileiros o dinheiro que deveria (e poderia) estar sendo utilizado na construção de hospitais, num país de doentes; de escolas, num país de analfabetos; na geração de empregos, num país de desempregados.

Que se degradem, que se desmoralizem, que se mostrem publicamente de uma forma que jamais poderíamos esperar. Mas não à custa de nossos bolsos, surrupiando o dinheiro suado de milhões de brasileiros que sofreram com o regime de exceção, mas nem por isso se acham no direito de “ganhar na loteria”.

Exigimos mais critério, seriedade e parcimônia na concessão de tais indenizações pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Para que se evitem espetáculos bisonhos como o que assistimos.

(O texto acima corre na rede em busca de assinaturas)

 

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=repudio_as_imorais_indenizacoes_de_ziraldo_jaguar&cod_Post=96601&a=111

 

 Minhas Palavras:

Não tenho muito mais o que acrescentar. Continuo envergonhado e entristecido. Não pelo Jaguar, que mal conheço, mas por Ziraldo, a quem admirava não só como artista, escritor e desenhista, mas também como pessoa. Brasileiro. É triste, melancólico mesmo, ter um sentimento desses arrancado do meu coração por causa de ganância. 

Lembro-me da tristeza profunda que senti quando Fernando Sabino morreu. Ele foi meu grande patrono na literatura adulta, quando eu tinha ainda doze para treze anos. Comparando aquela tristeza com a que estou sentindo agora, creio que não estaria tão triste se tivesse recebido o mesmo tipo de notícia a respeito de Ziraldo.

A morte moral é muito pior que a morte física. 



Escrito por Alessandro DelArco às 10h46
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  O Jornalista do Governo fala sobre o jornalista da TV Pública

No Blog do Nassif:

 

08/04/08 09:37

O jornalista da TV Brasil


O editor da TV Brasil foi demitido. Alegou coerção no trabalho.

Fatos divulgados até agora:

1. A chefia diz que ele não queria entrar no serviço antes das 16 horas.

2. Ele alega que foi pressionando em duas matérias. Na primeira, ao falar dos problemas da saúde sem mencionar a extinção da CPMF. A segunda ao mencionar "dossiê" para o episódio do vazamento de dados da Casa Civil.

Dá uma boa discussão. É relevante mencionar a CPMF quando se fala em redução das verbas para saúde? Ë correto falar em "dossiê" (que implica juízo de valor, já que a palavra tem conotação de algo clandestino e sigiloso) ao se referir ao vazamento de dados.

Lembro que nos jornais já se padronizou o uso da palavra "dossiê". E se minimizaram as perdas com a CPMF. Trata-se, também, de orientação editorial.

Ao incluir esses temas na pauta, a editora da TV Brasil afrontou princípios jornalísticos? Ou seguiu padrões jornalísticos mais objetivos?

Finalmente: procedem as afirmações de que ele só queria entrar no trabalho às 16 horas? Nesse caso, até que ponto que houve pressão ou ele tratou orientações comuns como pressão para criar um álibi para sua saída?

É um bom desafio para a estréia do Conselho Consultivo da TV Brasil.

http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=7047

 

Minhas Palavras:

Tenho acompanhado o "singelo" embate entre Luis Nassif e Reinaldo Azevedo já há algum tempo. Sempre achei que, em uma luta, seja ela uma briga, disputa ou guerra, não há certos ou errados, pois a razão sempre pende de um lado para o outro de forma cíclica. É justamente o que acontece no caso dos dois jornalista. Leio a ambos, admiro os dois. Mas em alguns momentos realmente não dá para defender Nassif.

Veja este caso: Enquanto toda a imprensa vem discutir a probabilidade de estar havendo coerção da direção da TV Brasil sobre seu editor ele publica um comentário indiscutivelmente pró-governo. E devo dizer que justamente porque o leio é que tenho algum cacife para dizer isso. Afinal, no mesmo artigo ele coloca vários pontos que sugerem uma parcialidade indiscutível em vários aspectos. Primeiro porque é o único jornalista de todos os que eu leio que ainda grafa dossiê entre aspas ou com os dizeres "suposto" antes da palavra dossiê. Curiosamente, "suposto dossiê" é justamento como o governo tem tratado o tal levantamento de dados obscuro.

Em seguida levanta a lebre da perda do dinheiro da CPMF e os males que isto causou à saúde, mesmo depois de já ter sido publicado que o governo obteve arrecadação recorde, mesmo contabilizando a perda da contribuição. Assim, poderia-se concluir, sem muito medo de errar, que a falta do dinheiro não pode ser usada como desculpa exclusiva para a precariedade da Saúde Pública do país. Pode-se creditar muito mais dessa precariedade à competência do Sr. Ministro da Saúde. Quem é do ramo da saúde pública diz que, via de regra, o que faltam não são recursos, mas uma política de aplicação desse dinheiro. Mas não ouso debater esta questão tão complexa neste espaço, até porque não tenho domínio suficiente sobre ela nem para encher uma lacuna de palavras-cruzadas.

Por fim, aborda a tal questão da Saúde x CPMF como orientação editorial para os outros jornais e meios de comunicação. Ora, que eu saiba, a CPMF durou quase uma década até ser extinta. E mesmo com toda aquela dinherrama, a Saúde Pública permaneceu um caos. Ora, porque seria simples "orientação editorial" não ligar o decadente serviço público de saúde ao dinheiro perdido da CPMF? Não parece simplesmente que, com esse dinheiro ou sem esse dinheiro, a situação permaneceria exatamente a mesma? E igualmente caótica? Desassociar as duas coisas me parece, portanto, absolutamente lógico.

Com tanta coisa "estranha" em uma mesma coluna fica difícil não imaginar o pior. E fica cada vez mais difícil continuar defendendo Nassif...



Escrito por Alessandro DelArco às 17h33
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07/04/2008 - 17h13

Ator Castrinho evita culpar São Paulo por dengue

TINO MONETTI
da Folha Online

O humorista e ator Geraldo Freire de Castro Filho, mais conhecido como Castrinho, afirmou à Folha Online nesta segunda-feira (7) que está "saindo da dengue agora". Na semana passada, foi divulgada a notícia de que ele poderia ser a mais nova vítima da doença.

O ator, atualmente no elenco da novela "Amor e Intrigas", da Rede Record, contou que, nos últimos dias, ficou de repouso, tomou cuidado com a hidratação e descansou em casa. Ele disse ainda que, no início da doença, ficou um dia inteiro internado e tomando soro no Hospital Rio Mar, no bairro carioca da Barra da Tijuca.

Sobre o surgimento da doença, o humorista contou que, apesar de não querer culpar nada nem ninguém, foi depois de uma viagem a São Paulo que ele começou a se sentir mal.

"Fui a São Paulo, gravei com a Eliana (no programa "Eliana & Alegria") e, quando voltei ao Rio, comecei a me sentir doente", contou.

Castrinho também disse acreditar que sua recuperação teria sido mais rápida se ele tivesse se tratado imediatamente, assim que a dengue apareceu. No entanto, o ator conta que preferiu não faltar nas gravações da novela e acabou piorando.

"Porém, para quem já teve câncer e operou duas pontes de safena, não vai ser um mosquitinho que vai me derrubar", afirmou o ator já recuperado da doença.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u389805.shtml

 

 

Enquanto isso, em São Paulo...

São Paulo conseguiu reduzir em 97,1% o número de casos de dengue no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Balanço da Secretaria de Saúde aponta que de janeiro a março de 2008, foram confirmados 1.297 casos da doença no Estado. No mesmo período de 2007, houve 44.760 casos. Além da queda do número de casos, neste ano um número menor de municípios registrou casos da doença. Foram 124 municípios neste ano contra 291 no mesmo período de 2007.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=enquanto_isso_em_sao_paulo&cod_Post=96433&a=111

Minhas Palavras:

Esta foi a piada do dia, na minha opinião. Castrinho, o famoso humorista conhecido principalmente por seu personagem Cascatinha, vem a São Paulo para gravar um programa e volta para o Rio com sintomas da dengue. Aí diz, como quem não quer nada, que não quer culpar São Paulo pela doença. Falando sério, isso só pode ser uma piada. O cara mora na capital mundial da dengue, onde centenas de pessoas atingidas pela doença estão abrigadas em hospitais de campanha porque o sistema público já não suporta tanta gente e acha que, em uma viagem de um dia para São Paulo, pegou dengue aqui. E não lá.

Eu até estranhei isso vindo de um humorista. Esperava ouvir isso de um político carioca da situação, para tentar se esquivar das críticas à sua própria cidade. Mas logo me dei conta de que humor e política são profissões parecidas, pois ambas vivem de entreter o públicos com meias-verdades. A diferença é que o humorista, em geral, finge que é desonesto para fazer graça, mas no fundo é honesto. Já o político...

Ah, a notícia logo abaixo da notícia da Folha sobre o Castrinho é do Blog do Noblat, onde podemos nos dar conta que a doença em SP está regredindo, mesmo estando, ainda, acima do aceitável.

Em tempo, como a doença demora de 3 a 15 dias em incubação, é pouco provável que ele tenha sido contaminado aqui. E espero que ele não tenha TRAZIDO a doença junto...

Agora, Castrinho, culpar São Paulo pela doença típica do Rio soa como piada sem graça, não soa?



Escrito por Alessandro DelArco às 16h55
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  Não há vergonha maior que a morte de um Herói...

Por Marcelo Tas, em seu blog: http://marcelotas.blog.uol.com.br/arch2008-04-01_2008-04-15.html#2008_04-07_12_02_48-5886357-0

Ziraldo, Cony e Jaguar: a geração perdida



Quando jovenzinho, cansei de ouvir de jornalistas que admirava na época que eu fazia parte de uma "geração perdida". Porque cresci durante a ditadura, sem acesso à informação. Enquanto eles combatiam destemidos nas trincheiras desenhando cartuns, escrevendo artigos com duplo sentido, entrevistando a si mesmos e tomando porres em Ipanema.

Eis que agora, os velhinhos voltam à cena e, segundo o Estadão, cobram a conta do contribuinte. Ziraldo e Jaguar se juntaram a outros espertinhos como Carlos Heitor Cony, e vão tungar dos cofres públicos mais de R$ 1 milhão de reais cada um mais um salarinho mensal.

Sim, cada um a seu modo, teve uma postura crítica diante da cruel realidade brasileira na época, que aliás não mudou muito de lá para cá. Mas não fizeram isso por idealismo? Não fizeram isso porque era "a única coisa a ser feita naquela época"? Não fizeram isso porque eram legaizinhos e "prafrentex" como nos disseram através do Pasquim? Não é exatamente isso que se espera de pessoas honradas? Não é exatamente essa a postura de milhares, senão milhões de brasileiros que resistem a duras penas, à tremenda injustiça escancarada nas ruas pelos quatro cantos do país até hoje?

O que esses senhores recomendariam a cada brasileiro que hoje se sinta injustiçado por algo que aconteceu há 30 anos? Que contrate um bom advogado para tungar um milhãozinho dos cofres públicos? Quem diria que esses senhores, no final da vida, figuras que sempre posaram de boa gente, amantes do humanismo, combatentes das desigualdades, defensores dos bons costumes... fossem dar um aplique desse na gente? Depois de todo o blablablá de décadas, no ocaso de suas carreiras, coroarem o currículum vitae com a invenção da "Bolsa Ditadura"?! Que vergonha!

Tivemos que esperar esses anos todos para perceber, aos 45 do segundo tempo, que eles, esses velhinhos velhacos, são verdadeiramente, a geração perdida. Que este milhão arda no traseiro deles e o travesseiro não os deixe dormir em paz.

PS1: depois de escrever o post acima, li no blog da Cora Ronai, além de um comentário precioso dela sobre o imbrolio, que Jaguar e Ziraldo vão receber da Justiça, a seguinte bolada, respectivamente: R$1.027.383,29 e R$1.253.000,24, mais pensão mensal de R$ 4.375,88.

PS2: Leio ainda no blog de Reinaldo Azevedo, que existem mais de 30 mil de pedidos de Bolsa Ditadura correndo na Justiça. Abro aspas para Reinaldo: "Pegue-se o caso de Carlos Heitor Cony, que deve receber a maior pensão mensal vigente — mais de R$ 20 mil —, além de ter levado uma indenização superior a R$ 1,5 milhão. Teria sido demitido do Correio da Manhã, onde era editorialista, por causa da ditadura. Recebeu uma pensão como quem estivesse destinado a ser diretor de redação. E para quem ele foi trabalhar depois, tornando-se seu ghost writer? Para Adolfo Bloch, dono da Manchete, um entusiasta do regime militar, para o qual Cony ajudava a derramar elogios."

E, olha a ironia do destino:

"Vejam que engraçado. Sabem como o pessoal do Pasquim se referia a Cony? Como “Carlos Heitor Conyvente”. Passados alguns anos, eis que todos são agraciados com o título nobiliárquico de “perseguidos pela ditadura”.

Jesus, que caras-de-pau!
Minhas Palavras (envergonhadas):
 
Cada vez mais me convenço de que não há herói no mundo que se salve de uma análise mais profunda. É triste, mas precisamos encarar a realidade para que, assim, consigamos superar o baque de ver nossos antigos mestres como eles realmente são: humanos, erráticos e falíveis. Se esperarmos deles mais do que isso, corremos sempre o risco de perdermos o pé na estrada.
Sempre gostei do Ziraldo, menos pela sua história e mais pelo seu empenho pela educação infantil. Nunca fui dado a tietagem, mas confesso que tinha grande simpatia pela pessoa do Ziraldo. Ainda tenho. Mas agora tenho muito menos respeito. Pela pessoa, que fique claro. A obra de Ziraldo continua intacta em meu coração.
E que fique claro ao Senhor Ziraldo, pessoa física: o Brasil não lhe deve nada. Eu não lhe devo nada. Nem um tostão. Comprei todos os seus livros que li. Comprei todas as revistas Bundas e Pasquim21 que li. O senhor foi devidamente pago por mim. Não lhe devo nada.
Nem mesmo, pensando bem, respeito ao seu primeiro milhão e aos seus cabelos brancos. O senhor mostrou que não fez por merecer...


Escrito por Alessandro DelArco às 10h07
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  Comédias e Profecias

Sou conhecido por não dar bola a livros de auto-ajuda. Em geral, não só evito esses livros como também não perco uma oportunidade de ridicularizá-los. O que não seria tarefa difícil não fosse a necessidade moral que tenho de só criticar algo após lê-lo. Foi assim com Paulo Coelho, por exemplo, o guru das multidões. E agora tenho nova oportunidade de praticar meu ceticismo espiritual após ter lido um grande marco das histórias de auto-ajuda: "A Profecia Celestina".

Este livro, que já foi muito famoso na primeira metade dos anos noventa, hoje é um ilustre desconhecido fora do circuito "Filósofos da Nova Era". Pessoas ligadas ao neo-esoterismo ainda o lêem e certamente ainda devem gostar muito das profecias recheadas de nonsense.

Mas não foi o meu caso. Ainda que não esperasse grande coisa do livro, o que encontrei me deixou ainda mais estarrecido. Nada parecido com as histórias simples com moral que, por exemplo, Paulo Coelho conta. A história é praticamente inexistente, passada a maior parte do tempo em um Peru onde todos falam inglês. Tudo gira em torno de 3 premissas básicas: a) há um tal Manuscrito misterioso que contém várias visões que iriam mudar o mundo; 2) Estas visões são apresentadas ao protagonista sem nome em forma de diálogos com diversos personagens que invariavelmente têm a mesma forma de se expressar. Seja ele homem ou mulher, mas a pessoa que fala ao protagonista sempre usa um inglês técnico fabuloso e o mesmo "timbre" de catequisação por perguntas e respostas. Ah, e até mesmo os peruanos mais retintos têm um vocabulário riquíssimo para explicar as nove Visões. 3) Há um complô da Igreja contra o tal Manuscrito (sempre em letra maiúscula), pois a Igreja tem ódio dos esotéricos.

Quem ler ao menos a contra-capa pode ter a impressão de que está diante de uma verdadeira aventura com "moral da história". Mas nem mesmo isso acontece. A "aventura" é apenas um apanhado de situações burlescas que o autor colocou lá no livro simplesmente para ir, pouco a pouco, construir suas teses. Assim, se utilizando de um professor de história ele diz que nossa persepção de história mudou. Uma cientista faz uma alusão à Teoria da Relatividade e da Mecânica Quântica para mostrar que podemos emitir energia e também que podemos forçar coincidências a acontecerem se estivermos treinados o suficiente. O autor cria um caso de amor para o protagonista simplesmente para que a moça pegasse no pé dele para, assim, o autor discorrer sobre o nosso vício sobre outras pessoas e também como um relacionamento pode ser prejudicial à sua evolução. Neste último ponto eu até concordo com ele, embora tenha teorias diferentes sobre o assunto .

Claro que em uma simplificação como a que estou fazendo poderia transparecer que eu não entendi o que li. Na verdade, uma pessoa que tenha gostado do livro vai ter certeza de que não entendi. Ou dirá que eu não estou preparado para ler algo dessa magnitude espiritual. Como diz o lema da ProVida: quando você estiver preparado, uma força maior o levará à ProVida... Em minha defesa posso simplesmente dizer que prefiro nem me dar ao trabalho de responder a esse tipo de acusação. Afinal, não estou criticando a opção espiritual de ninguém, mas tão-somente falando algo de um livro pretensioso que li. E este, como literatura, tenho certeza que é fraco. Pensando no livro como guia espiritual, só posso dizer que já li livros muito melhores. E muito menos pretensiosos.

No fim, ficou a sensação de que nada mudou. Uma pena quando se trata de um livro.



Escrito por Alessandro DelArco às 16h38
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  Depois de dias...

Estou já a alguns dias sem blogar. Como este blog já se incorporou às minhas veias, sinto falta quando não encontro assunto ou tempo útil para escrever. Quando isso acontece, prefiro gastar o pouco tempo que me sobra lendo. Ainda considero ler melhor do que escrever. Não que os dias estejam sendo prodigiosos na qualidade das notícias e textos que ando lendo. Estou terminando de ler um livro que devo comentar até o fim da semana. E tenho lido as colunas e Blogs que faço questão de sempre ler. Mas confesso que nada tem me deixado eufórico a ponto de virar comentário aqui. Até guardei um artigo do Fernando de Barros e Silva para posterior análise, mas só vou comentá-lo se conseguir entender onde o autor queria chegar. Se perceber que está além da minha compreensão, estará além também dos meus pobres comentários. Já é difícil a gente falar do que (acha) que entende, quando mais do que sabe que não entende.

Meus caros poucos leitores. Não mais irei quantificá-los pois tenho notado que quase todo mundo que é muito lido faz isso, sempre menosprezando os próprios números. Como eu o fazia tentando superestimar os meus, desisti da brincadeira. Seria presunção demais de minha parte dizer que eu tenho o mesmo número de leitores de Tutty Vasquez e do Josias de Souza, quando sei que nem minha esposa me lê...

E até o próximo assunto



Escrito por Alessandro DelArco às 11h55
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  Lula Presidente: Tê-lo ou não tê-lo

Segue abaixo coluna de hoje de Elio Gaspari na Folha de São Paulo

São Paulo, 19 de março de 2008

ELIO GASPARI

Lula é o mesmo, mas o cenário é outro


Araraquara teve a conferência de Jean-Paul Sartre em 1960 e o discurso de Nosso Guia em 2008




BENDITA A CIDADE que ganha fama com uma palestra. Foi isso que aconteceu com Araraquara depois que o filósofo francês Jean-Paul Sartre terminou sua conferência no auditório da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras, em setembro de 1960. Daí em diante ela se tornou conhecida como "a Conferência de Araraquara". Era uma época em que as pessoas iam a esses eventos de terno e gravata.
Sartre tratou de arcanas questões filosóficas e teve Jorge Amado na mesa, Fernando e Ruth Cardoso, mais Antonio Candido e Gilda de Mello e Souza na primeira fila.
Há uma semana, discursando em Araraquara, na inauguração da escola que ganhou o nome da professora Gilda, morta em dezembro de 2005, Nosso Guia fez um discurso que merece atenção. Foi um improviso, menor que a conferência de Sartre, mas ainda assim longo. Tem seis vezes o tamanho deste artigo e, à primeira vista, pode ser confundido com mais um Opus Lula.
Nosso Guia trocou de cenário. Ele cavalga o desempenho da economia e os avanços sociais ocorridos durante seu reinado. Não formula idéias novas, apenas arruma velhos esplendores. Lula faz isso de uma forma que seus adversários devem pensar melhor antes de continuar com uma oposição de frases feitas e CPIs para alimentar noticiário. Alguns exemplos:
"Todo o sacrifício que nós fizemos permitiu que a gente pudesse estar vivendo o momento que estamos vivendo hoje. (...) Hoje temos quase 200 bilhões de dólares de reservas, não devemos nada ao FMI, não devemos nada ao Clube de Paris e não devemos nada a ninguém."
"Aqui no Brasil pobre não tinha acesso a banco. Aliás, os bancos tinham desaprendido a atender pobre. (...) O que nós fizemos? Nós resolvemos fazer crédito para o povo pobre. (...) Criamos o crédito consignado. (...) Eu acho que a gente colocar dinheiro na mão do pobre é investimento neste país."
"Quando eu tomei posse a indústria automobilística me procurou dizendo: "Nós estamos quebrados". (...) E ontem eu recebi uma carta: eles saíram de 2,2 milhões de carros e estão prometendo produzir 4 milhões de carros em 2009. Qual foi o milagre? O milagre foi uma coisa que a gente vinha dizendo há 20 anos: com 24 meses de prestação, só pode comprar carro o setor da classe média. Se vocês quiserem que o pobre compre um carro, aumentem o número de prestações."
"Noventa e seis por cento dos acordos feitos pelos sindicatos são acordos feitos acima da inflação, com aumento real de salário."
"Neste ano, nós vamos ter a primeira turma formada pelo ProUni. São 60 mil jovens que tiraram o diploma pelo ProUni e 40% desses são negros e negras."
Nosso Guia teve até o seu "momento Obama": "O grande desafio (...) é acreditar que a gente pode".
Não há um novo Lula, o que há é uma nova conjuntura. Sua falação pode ser repetitiva, mas tem duas características. Primeiro, ele não está enrolando. Depois, leva à rua uma agenda de progresso e otimismo, deixando à oposição o penoso exercício do mau humor. Se uma mentira, repetida mil vezes, acaba virando verdade, o que dizer de uma verdade repetida mil vezes?
O Brasil bem pensante, que até hoje procura entender a conferência de Sartre, precisa ler o discurso de Araraquara. Está na internet, basta passar no Google "discurso lula araraquara gilda". Em 1960, aos 15 anos, Nosso Guia corria atrás de seu único diploma. O do Senai.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1903200807.htm

Minhas Palavras

Não há como negar que temos vivido bons tempos para o Brasil. Do mesmo modo também não se pode simplesmente atribuir todo o crédito ao governo atual. Goste-se ou não de Fernando Henrique, sua passagem pelo Executivo foi, sem sombra de dúvida, indispensável para o Brasil. A reportagem acima reflete bem os pontos principais deste governo. Um governo de esquerda que se dá bem toda vez que pratica politicas de direita: apoio à industria, política econômica sensata e etc.

Por que então, afinal de contas, eu não consigo me sentir tranquilo sendo governado por Lula? Vários motivos, mas vou apontar apenas os três que eu considero principais.

O primeiro e mais profundo desapontamento que Lula me causou foi referente à educação. Exceto pelos discutíveis programas de cotas em universidades públicas, nada de concreto foi feito para ligar com a falta de educação formal do povo brasileiro. Nenhum único programa federal para salvar o falido sistema educacional de ensino fundamental e médio foi realizado nestes últimos 5 anos. Ah, FHC também não fez? e daí? Esperava tal coisa de alguém como Lula, que tanto gosta de falar em seu passado sofrido, não de alguém para quem a educação não foi privilégio, mas obrigação e meio de vida, como FHC. O Brasil cresce hoje, mas seu futuro está comprometido porque pode nos faltar, no futuro, uma carga intelectual e cultural para manter este crescimento. De certo modo, isso acontece hoje nas áreas de engenharia, onde sobra trabalho mas faltam pessoas qualificadas para assumirem os postos criados. E todo o processo de habilitação é longo e cansativo, tanto para quem foi massacrado pelos anos de ensino fundamental quanto para os patrões, que precisam de resultados rápidos. Já disse antes que "Um país se faz com homens e livros", como dizia sabiamente Monteiro Lobato. E concordo com ele. Um homem sem curso superior pode até se tornar presidente da república e fazer seu projeto dar certo. Mas um país sem ensino eficiente jamais terá projeto de nação concluído. Estará fadado ao "país de amanhã". Como disse, Lula nada faz para mudar essa situação.

O segundo ponto é o desprezo que Lula demonstra pela classe média. Quando era candidato, éramos tratados como "Classe Média". Depois de eleito, o presidente passou a nos tratar como "Elite" ou "Burgueses". Pior, muitas vezes somos taxados de "ricos". Se ao menos o termo Elite não viesse tão cercado de preconceito e sentido negativo, eu até acataria isso como elogio. Afinal, tenho dedicado meus melhores anos de vida estudando, lendo, trabalhando, me aperfeiçoando e pagando todos e quaisquer impostos que sou obrigado a pagar. Às vezes até em duplicata, como no caso da previdência social, assistência médica e IPVA. E, embora carregue proporcionalmente o país nas costas, o presidente prefere não entender a minha importância. Eu como classe média, bem entendido. Como massa crítica, não como a massa amórfica e acerebrada que ele gosta de agradar. Talvez até seja isso que mete medo. Todas as pessoas que realmente importam estão nesse miolo crítico: formadores de opinião, professores, pensadores, pagadores de impostos. Nada bom deixar essa gente sossegada. Sabe-se lá o que poderiam aprontar. Mas como esse tratamento mudou com o tempo, me sinto enganado por ele.

O último ponto que queria discutir é essa tolerância cega que Lula tem pelos nossos vizinhos aloprados. Desde o caso da Petrobrás na Bolívia que não engulo os elogios rasgados de Lula a Chavez, Morales e companhia. Beira o ridículo. Neste ponto, concordo fortemente com a premissa de Reinaldo Azevedo que diz que o Brasil não tolera ser humilhado por países mais avançados, mas adora humilhação vinda de nossos parceiros mais insignificantes que nós. Esse tipo de abordagem preocupa pois nos mantém próximos demais daqueles que destroem em seus países tudo aquilo que estamos lutando para construir no Brasil, como estabilidade político-econômica, liberdade de expressão e respeito dos países de primeiro mundo. No caso de Morales Lula expõe também sua faceta preconceituosa quando diz que "somente ele pode governar a Bolívia, não um loiro de olhos azuis", como se cor da pele, cabelos e olhos fosse algum sintoma de cidadania e competência.

Não há dúvidas de que o país está crescendo. E esse processo deve continuar por algum tempo. Faço votos de que Lula consiga realmente me desapontar de novo, passando por cima de tudo o que escrevi e fazendo o que eu esperava antes. Seria a melhor decepção que eu poderia ter.



Escrito por Alessandro DelArco às 18h08
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12/03/2008

PF expulsa mais oito espanhóis no aeroporto do Rio

De volta a Madri, barrados queixaram-se de ‘maus tratos’

 

  Sérgio González/El Mundo
Subiu de treze para 21 os cidadãos espanhóis expulsos pela Polícia Federal ao tentar ingressar no Brasil. Nesta terça-feira (11), foram barrados no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, mais oito viajantes procedentes da Espanha. Eram sete empresários e uma turista. As expulsões anteriores haviam ocorrido no aeroporto de Salvador.

 

O grupo de espanhóis chegara no vôo de número 6025, da companhia Ibéria. Impedidos de cruzar a alfândega, se viram compelidos a retornar no mesmo avião. De volta a Madri, um dos empresários foi ouvido pela repórter Ana Del Barrio. Em relato semelhante aos de brasileiros barrados pela política de imigração da Espanha, queixou-se de maus tratos.

 

“Quando desembarcamos do avião, perguntaram quem eram os espanhóis. Nos separaram de lado como se fôssemos cachorros, recolheram nossos passaportes e, depois, saíram dizendo que nos teríamos que voltar à Espanha”, disse o empresário Pedro José Hernández, 38.

 

Segundo Hernández, a Polícia Federal tratou o grupo de forma discriminatória. “Os agentes nos separaram do resto dos europeus sem nos dar nenhuma explicação. Disseram que nem podíamos falar com eles e que a Ibéria já tinha os nossos bilhetes de volta para a Espanha. O tratamento que recebemos foi vexatório.”

 

“Via-se claramente que iam contra os espanhóis”, acrescentou Hernandez. “Detiveram também um irlandês que falava castelhano e o soltaram quando descobriram que não era [espanhol].” Afirmou ainda que os empresários dispunham de passaportes regulares, reservas de hotel e dinheiro no bolso para custear suas despesas no Brasil.

 

A despeito de tudo, disse Hernández, a PF tratou o grupo com “maus modos”. Esboçaram uma reação. Mas foram contidos por funcionários da companhia aérea. “Quando protestamos, os da Ibéria aconselharam que nos metêssemos no avião, para evitar problemas. É injusto porque nós íamos trabalhar.” Fariam, segundo disse, negócios.

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2008-03-09_2008-03-15.html#2008_03-12_05_39_08-10045644-0

 

Minhas Palavras

 

Vergonha! É o que sinto quando leio notícias como esta, que foi publicada no Blog do Josias.

Nossas autoridades de relações exteriores tem se comportado como menininhas birrentas neste caso da imigração espanhola. Detectou-se que os brasileiros têm tido problemas sistemáticos ao entrar na Espanha. Muitos brasileiros foram tratados como criminosos, isolados dos demais e alguns foram obrigados a voltar. Isso é certo? De forma alguma. O consulado brasileiro deveria ter reclamado oficialmente ao governo espanhol exigindo mudanças nessa situação, bem como tomado ações para garantir que isso não aconteça mais. Algumas dessas ações foram citadas de forma precisa por Clóvis Rossi (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1203200803.htm).

Mas o que foi feito no final? "Princípio da Reciprocidade". Até a palavra é complicada de se falar. Significa, em poucas palavras, pagar aos espanhóis na mesma moeda. Assim, se eles não deixam nossos turistas e imigrantes ilegais entrarem na Espanha, nós não deixamos os turistas deles entrarem no Brasil. Nem eles, nem seus poderosos euros. E assim tudo fica resolvido...

Infelizmente, o povo espanhól, de modo geral, não está sequer sabendo dessa história. Eles chegam desavisados no Brasil e são tratados como escórias, como criminosos. Muitos vieram ao Brasil pela imagem do país tropical, amistoso e sensual que fazem de nós lá fora. E o que encontram? Truculência e indignação.

Sem que nenhuma medida real tenha sido tomada para se tentar contornar esta situação lá na Espanha.

A vocês, espanhóis, que foram impedidos de entrar no Brasil, meu sincero pedido de desculpas. A ignorância com a qual vocês foram brindados ao tentar entrar no país não é uma característica apreciada por nós, povão brasileiro. Nem concordamos com o tratamento vulgar e estúpido que vocês têm recebido de nossas autoridades. Sei que o desgaste da imagem que o país sofreu em suas memórias jamais serão apagados. Mas espero, do fundo do coração, que vocês nos perdoem. Se não nossas autoridades, ao menos aos brasileiros de verdade.



Escrito por Alessandro DelArco às 15h25
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